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Tecnologia, poesia e dança contam histórias locais pelas ruas das metrópoles

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A união entre tecnologia, poesia e dança contemporânea encontrada no projeto pernambucano Pontilhados – Intervenções humanas em ambientes urbanos chega a São Paulo nos dias 28, 29 e 30/11. Obra do ‘Grupo Experimental’, a apresentação tem direção de Mônica Lira e inicia a comemoração de 25 anos do coletivo. Pontilhados visita roteiros históricos, revela lembranças do local, aborda questões existentes e semelhantes em diferentes metrópoles, tendo as ruas do centro da cidade como palco das encenações. Foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2017-2018 e já passou por Porto Alegre-RS.

Os sete artistas do grupo, Gardênia Coleto, Rafaella Trindade, Everton Gomes, Jorge Kildery, Anne Costa, Silvia Góes e Jennyfer Caldas se somam ao paulista Ivan Bernardelli, artista-pesquisador local, coreógrafo e diretor da Cia. Dual de Dança Contemporânea, que os ajudou nessa empreitada. Por meio de uma residência realizada no CRD – Centro de Referência da Dança, em São Paulo, 14 dançarinos da cidade também foram selecionados para a apresentação: Alisson Lima, Ana Caroline Recalde, Bruna Amano, Giovanna Pantaleão, Gisele Campanilli, José Artur Campos, Julianna Granjeia, Kleber Candido, Mateus Menezes, Michele Mattos, Patrícia Pina Cruz, Vinícius Francês, Vitor Silva e Laís D’addio.

A ideia do projeto é, também, misturar e interagir corpos e experiências pernambucanas com os das cidades em que se apresentam, não somente propor um diálogo entre os municípios. São compostas cenas que revelem o quanto esses encontros são importantes para que a dança desenhe o seu lugar na atualidade.

Fotos: Rogério Alves Sobrado
Fotos: Rogério Alves Sobrado

Nas ruas da cidade

Com uma trilha sonora transmitida por ondas de rádio e ouvida pelo público por meio de fones, Pontilhados se transforma em um passeio ao ar livre, por uma cidade que não para, mas que no áudio, na fala da atriz Lilian Lima – da Cia. Do Tijolo – vai desenhando o roteiro, ora histórico, ora afetivo. Ela viaja pela vida de pessoas simples, de prédios, de trechos do tempo que remontam à cidade de hoje e de antigamente. Esses elementos compõem os cenários e textos a partir da arquitetura e das narrativas humanas.

A viagem começa no Hexágono, obra encontrada na Praça da Sé, e segue para a Catedral, que já à primeira vista é notada pelas suas estruturas góticas e renascentistas. Ao entrarem, conhecem a história de Dom Paulo Evaristo Arns, denunciante de torturas e crimes na época da ditadura. Seguindo o audioguia, já de volta a praça, passam pelas estátuas do apóstolo Paulo e do Padre José de Anchieta rumo à rua do Ouro. No ouvido, pintam frases do livro A capital da vertigem, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, como a que se refere à São Paulo como “vertigem artística, industrial, geográfica, urbanística”.

Descendo em direção ao cruzamento da rua Quintino Bocaiúva com a rua José Bonifácio, os espectadores passam pelo Palacete Tereza Toledo Lara, no qual funcionou a Rádio Record e onde o sambista Adoniran Barbosa criou muitas das suas composições. Desde a sua fundação, em 1910, o espaço também abrigou várias casas tradicionais de vendas de instrumentos musicais, tornando a esquina do prédio conhecida como a Esquina Musical de São Paulo.

Passando pela Rua São Bento com a Avenida São João, a cena é sobre Break, em uma referência ao local onde foram iniciadas as rodas do estilo musical e batalhas de danças urbanas. Tem também performance no Pateo do Collegio, marco do nascimento da cidade de São Paulo, no alto de uma colina entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, lugar escolhido para iniciar a catequização dos indígenas.

São 60 minutos de andanças, descobrimentos, encenações artísticas pela cidade e muitas narrativas. Como resume bem Ítalo Calvino – um dos mais importantes escritores italianos do século 20 – no livro As Cidades Invisíveis, a cidade não conta com seu passado, ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimãos das escadas.

Os municípios que dão corpo ao espetáculo, agora São Paulo, já tendo passado por Porto Alegre e sido criado em Recife, são capitais importantes por seus prédios, pela contribuição étnica de outros povos e pela atuação na economia do país. Uma mistura dessas informações, com as descobertas das pessoas, lendas, conversas de botequim, impressões do povo de agora sobre o povo de outrora, reescrevem o trajeto cênico e dão vida a Pontilhados.


O que: espetáculo Pontilhados
Quando: 28 a 30/11, 17h
Onde: saída do Palacete Tereza Toledo Lara
Rua Quintino Bocaiúva, 22 Centro | São Paulo-SP
Quanto: gratuito
* distribuição gratuita dos fones por ordem de chegada (50 pessoas)
** para retirada do fone, deixar documento a ser devolvida na entrega do mesmo
Duração: 60 minutos

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