Forró em Pauta, Música

Quando é Forró?

Essa coisa de forró é uma confusão danada, pelo menos na cabeça dos leigos que vão conhecer pela primeira vez. Às vezes, também o é para quem vai todo dia ao forró, ou pelo menos, acha que vai, porque a mídia criou uma senhora bagunça no ritmo.

O forró, o verdadeiro e único, foi o criado por Luiz Gonzaga na década de 40. Ele criou o baião e em seguida um monte de ritmos que se juntaram a ele como o xaxado, o arrastapé, o coco, o xote, o baião mesmo e o próprio forró, e tudo isso virou um nome só: forró. Acontece que um empresário espertalhão resolveu criar uma banda que fazia uma verdadeira salada de ritmos e criou uma coisa que ele tentou chamar de “Oxente Music”, mas o nome não pegou e acabou virando também forró. Alguns chamam de forró eletrônico, outros de risca faca, outros de bandas de forró, seja como for, não tem nada a ver com o forró original. Portanto, quem vai a locais onde tocam bandas como: Calcinha Preta, Brucelose, Mastrus Com Leite, Cebola Cortada, Caviar Com Rapadura, Calipso, Aviões do Forró e etc, está, na verdade, comprando gato por lebre. Nem quero discutir se é bom ou não, mas que não é forró, isso não é.

Forró tem as batidas bem marcadas, geralmente por um zabumba, às vezes por bateria e pode ter qualquer instrumento, até teclado, se bem que com sanfona é muito mais charmoso, mas desde que se respeite a batida de cada um dos ritmos que o compõe, aí sim é forró.

Outra confusão que se faz é com uma espécie de subgênero do forró conhecido como forró malícia. Este é forró sim, mas geralmente as letras têm duplo sentido, às vezes mais que duplo, a safadeza é direta mesmo sem nem se preocupar em disfarçar um pouquinho, mas geralmente é bem feita e costuma ser bem engraçado. Genival Lacerda, Sandro Beker, Zenilton e até João do Vale se arriscaram muito nessa seara e se deram bem. Alguns outros exageraram, perdendo um pouco a compostura e o limite, mas se for pra dançar costumam servir bem.

Forró universitário é outra dúvida que paira sobre a cabeça das pessoas. É um tipo de forró ou não? Existem várias opiniões sobre o tema e eu que conheci bem de perto o surgimento do termo e do pretenso novo ritmo, acho que ficou só na pretensão mesmo. O que chamam de forró universitário seria a forma de tocar iniciada, ou pelo menos divulgada, pelo Falamansa que é o forró original feito por pessoas do sudeste que não tinham a linguagem nordestina e criaram o seu próprio jeito de fazer sem alterar o ritmo, apenas a forma de tocar. Dominguinhos mesmo sempre explica que o forró feito por Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé e etc., é o mesmo de Luiz Gonzaga.

Portanto, quando você quiser dançar e tiver certeza que quer forró mesmo é melhor prestar atenção na música. Para não correr risco, tente escutar se tem bateria eletrônica ou teclado, pois embora possa ser forró de verdade a tendência, na maioria das vezes, é que não, pois é o tipo de instrumento que o pessoal de lá, do “alguma coisa” eletrônico, gosta. É bom observar o palco, caso haja música ao vivo, se tiver muita bailarina com roupa curta, também é bom ficar desconfiado. Embora alguns forrozeiros às vezes utilizem dançarinas assim, normalmente é o povo de lá (do nordeste) que prefere.

Elba Ramalho, no show em homenagem aos 70 anos do cantor Dominguinhos, no Canto da Ema, em São Paulo

Se você conhecer de música e dos nomes importantes da música brasileira, então veja se ouve alguma coisa de Dominguinhos ou Luiz Gonzaga, pode ter Elba Ramalho, Alceu Valença ou Fagner. Se tiver Genival Lacerda é certeza, ou mesmo Falamansa e Rastapé.

A grande dica de verdade para você saber é: se sentir vontade de se encostar a alguém, segurar na mão e abraçar de leve, o corpo pedir pra mexer de forma cadenciada e bem gostosa, você começar a ficar feliz e se sentir no céu, aí não tenha mais dúvidas. Isso é forró!

 

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Empresário e produtor no meio cultural, envolvido com o forró desde 1991, proprietário do Canto da Ema, uma das principais casas de forró de São Paulo. Criador do Dia Nacional do Forró (13 de dezembro). É apresentador e produtor do programa “Vira e Mexe”, na Rádio USP 93,7 FM, direcionado ao ritmo nordestino. O cantor Dominguinhos era seu parceiro na apresentação do programa.

7 Comments

  1. Bom texto e bons comentários.
    Amigos sempre que forem no Nordeste e quiserem ir a um forró, tente entrar em contato com quem estuda o forró na região tenho certeza que vocês não vão se arrepender. Coisa ruim tem em todo lugar. Procure boas referencias de casa de forró. Se forem perguntar aonde tem um forró, sugiro que pergunte assim: Aonde tem um forró pé de serra nessa cidade?”
    Parabéns pelo artigo e parabéns aos colegas pelos comentários.

  2. Parabéns ao Paulinho Rosa pela crítica. Eu mesmo fui enganado, recentemente fui numa casa de forró em Natal e o que vi no palco não era forró. Algo parecido com o Calcinha Preta, que na minha opinião é “brega eletrônico”. Sou neófito no assunto, estou consumindo tudo que é forró, já coloquei no meu ipod várias músicas do genero e recentemente tirei tudo o que comprei “gato por lebre”, tipo Aviões do Forró, Calcinha Preta, etc.
    Mas, o grande legado do Paulinho Rosa é manter em São Paulo o Canto da Ema, um lugar exepcional onde toca forró de primeira.

  3. Não sei se o que digo é certo, mais o forro universitario se refere mais ao local onde começou e não a banda, pois antes os nordestinos que tinham condições de ir para RJ e SP a procura de se formar em uma boa Faculdade se reunião em um determinado local para se divertir e formavam ali um trio ou uma banda de improviso, e assim faziam suas festas. Por serem a maioria UNIVERSITARIOS transformou o forro em FORRO UNIVERSITARIO.

    Glaydson Santos, professor de dança de salão a 10 anos

  4. Ola sou Professor de dança de Salão e especialista em forró há 15 anos tenho estudado o forró lá nas suas raízes, nas minhas aulas tenho incentivado sempre meus alunos ouvirem o que estão dançando, pois a maioria da galera que frequentam os forrós ficam hipnotizados pela sonzera e saem executando passos desordenadamente fora do ritmo e sem o menor cuidado com sua parceira expondo-a a torções de braços cargas excessivas, e acreditem acrobacias perigosas e sem o menor sentido.Existem muitos curiosos (ensinando) forró.
    Gostaria de dizer que tem muita gente se aproveitando deste ritmo maravilhoso e que ao longo do tempo vem agregando tantas pessoas ao seu redor.
    São oportunistas tanto dando aulas (baladeiros) sem saber nada a respeito do tema(não estudam nem querem), quanto ditos cantores e bandas, se apoderando e causando grandes confusões tudo em nome do dinheiro e fama.(lembra:sei não posso não minha muié …..)
    Mas também existem alguns não tão conhecidos que mantem a tradição e as raízes do forró que tanto nos apaixona como:Dominguimhos, Flavio José,Chico Pessoa, Dorgival Dantas, Santana o Cantador, Tania Alves, Trios Nordestino, Forrozão, Araripe, Arco Verde, Virgulino, entre tantos outros muito bons mesmo que não interessam as gravadoras e fazem trabalhos independentes, em suma tem grupos/bandas que ate conseguem (as vezes) não sei se por sorte fazer uns forrós de fato, mas é bom que todos que curtem um bom forro prestem bastante atenção sim.
    Abraços a todos e parabéns por tocarem em um assunto que muitos se escondem por medo de se manifestarem a respeito do tema FORRÓ.
    Prof. Alexandre Silva

  5. Na verdade, no começo de tudo, forró não era um ritmo musical e sim a festa, se levarmos por esse lado tudo é forró. No interior de São Paulo, até os bailes sertanejos o pessoal chama de forró.

    De qualquer forma, o forró que dançamos à base de Sanfona, Zambuma e Triangulo, com variações de pandeiro, agogo e cavaquino é o forró pé de serra, lançado para o sudeste por Luiz Gonzaga.

    Forró universitário para mim é uma denominação com objetivo de atrair mais público, uma forma mais bonitinha de mostrar na televisão, mas nao passa de forró pe de serra com letras urbanas.

    Genival Lacerda tem fases maravilhosas no forró, com musicas lindas e dançantes. O problemas é que uma fase da vida dele desandou e partiu para ganhar dinheiro (creio eu).

    Bom essa é minha opinião…. abraços!!

  6. Adoro sair pra dançar forró, mas realmente ainda não conheço muito bem as variações do ritmo. Mas mesmo sendo leiga nunca fui muito fã destes “forrós modernos”. O que me encanta no forró é esta dança juntinha, gostosa e descontraída, que sempre faz a gente sair da festa com um sorriso no rosto e vontade de dançar mais um pouquinho. Parabéns a Dança em Pauta e ao Paulinho Rosa por trazer estas informações e espero que deem mais dicas de músicas e cantores pra gente poder cair no forró!!
    abraços

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