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Projeto cultural leva espetáculo de dança para escolas da rede municipal de Florianópolis

No dia 30/05 terá início o circuito “1717 em Floripa”, idealizado pela Dois Pontos Cia de Dança Teatro para levar apresentações gratuitas de dança para escolas da rede municipal de Florianópolis. Ao todo, 16 escolas públicas em 15 bairros da capital catarinense receberão a estrutura itinerante do espetáculo “1717” para apresentações durante o primeiro e segundo semestres deste ano. O projeto foi selecionado pela Fundação Franklin Cascaes através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e conta com apoio cultural do Grupo Nexxera.

“1717” é uma data. É o ano em que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por pescadores nas águas do rio Paraíba do Sul, no interior Paulista. Em seguida, a pesca, que estava escassa, se fez farta. O acontecimento é considerado o primeiro milagre de Nossa Senhora Aparecida, representada pela imagem de terracota enegrecida pela ação da água do rio e alçada ao posto de padroeira do Brasil em 1930.

Apesar da devoção brasileira à santa, o espetáculo não tem cunho religioso. Foi por ser um dos primeiros ícones da cultura popular brasileira que o tema instigou os diretores Alexandra Klen e Ricardo Tetzner a desenvolverem esse trabalho de dança-teatro, que é a primeira montagem da companhia, fundada em janeiro de 2015 na capital catarinense. No palco, a história foi coreografada em quatro atos: “Anunciação”, “Peregrinação, “Pedidos e Agradecimentos” e “Destruição e Coroação”.

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O circuito consiste na apresentação de uma adaptação de 15 minutos (o original tem uma hora de duração), seguida de uma conversa com os estudantes e professores. Dentro desse projeto de arte-educação, a cia desenvolveu um livro para ser entregue aos estudantes, com conteúdo acerca da dramaturgia do espetáculo, sua trilha sonora, cenografia, iluminação e outros aspectos relacionados à montagem artística. Além disso, o livro traz os croquis do figurino desenvolvido pelo consagrado figurinista José Alfredo Beirão, para que os alunos exercitem sua criatividade colorindo, recriando a ornamentação e projetando cenários. “É a maneira que escolhemos para fomentar a formação de público em Florianópolis e ajudar a desenvolver o lado artístico nas escolas”, afirma Ricardo.

Diversidade e inclusão
Uma extensa pesquisa foi empreendida para envolver a plateia nessa história que mescla arte, religiosidade e cultura popular. Ora em grupo, ora em duos, sete bailarinos são conduzidos por uma trilha sonora enriquecida por composições de Chico Buarque a Vivaldi. O cenário – projetado para o caráter itinerante de “1717” – é minimalista e traz uma grande tela de construção que envolve o palco e os dançarinos. Segundo Ricardo, “são características alinhadas com a temática do espetáculo: simplicidade, esforço e construção”.

A coreografia costura vários estilos, como dança de salão, danças urbanas e improviso com jogos teatrais, refletindo a diversidade cultural das cidades brasileiras, de todos os tamanhos e regiões, que já ouviram falar de Nossa Senhora Aparecida.

O elenco conta com uma tradutora e intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), que faz parte do contexto e da composição coreográfica. O objetivo é incluir minorias linguísticas no espetáculo e todos os bailarinos também aprenderam um pouco desta forma de comunicação.

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Por onde o espetáculo já passou
“1717” estreou no dia 12 de outubro de 2015, na nave da Catedral Metropolitana de Florianópolis. A apresentação aberta ao público foi a primeira de um número de dança naquele local. Um ano depois, a montagem foi apresentada em Roma, também no dia 12 de outubro. O convite veio do Colégio Pio Brasileiro, depois que “1717” recebeu o “patrocínio santo” do Conselho Pontifício da Cultura do Vaticano, em reconhecimento ao valor cultural e artístico da montagem. A plateia em Roma incluía o catarinense Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar da CNBB, o Cardeal Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, o embaixador do Brasil na Santa Sé, Denis Santos de Souza Pinto e a embaixatriz Maria do Carmo de Souza Pinto.

Fotos: Thiago Leon, Alan Patrick Rajá

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