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Pesquisa revela benefícios da Dança Grega em pacientes com doença cardíaca

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Uma pesquisa divulgada na última sexta (15/04), no European Journal of Cardiovascular Nursing, merecendo destaque da Sociedade Europeia de Cardiologia, revelou que pacientes com insuficiência cardíaca crônica – doença que acarreta, entre outros, fraqueza e fadiga – apresentaram melhorias significativas em seu condicionamento físico através da prática da tradicional Dança Grega.

A pesquisa foi feita entre um grupo de 40 idosos que apresentam a doença, com idade média de 73 anos, e que não praticavam nenhuma atividade física há no mínimo um ano. Metade do grupo participou de um programa de reabilitação física baseado na prática de danças tradicionais gregas, três vezes por semana, com duração de 45 a 60 minutos. A outra metade manteve sua rotina sedentária.

Em apenas três meses, os resultados foram surpreendentes. Comparado aos pacientes sedentários, o grupo de pessoas que frequentou as aulas de dança tinham pernas mais fortes e podiam caminhar mais, apresentando 10% mais resistência muscular e alongamento das pernas. Eles também pulavam 10% mais alto e 6% mais rápido.

“A Dança Grega é parte importante de casamentos e outras celebrações, muito popular entre as pessoas mais velhas. Acreditamos que dançar pode aumentar o interesse nos programas de reabilitação para pacientes com insuficiência cardíaca crônica. Este é o primeiro estudo que avalia o impacto da tradicional Dança Grega na habilidade de saltar”, explica Zacharias Vordos, pesquisador da Aristotle University, em Tessalônica, na Grécia.

De acordo com Vordos, a frequência do grupo que participou da pesquisa nas aulas de dança foi de mais de 90%, o que sugere que este tipo de reabilitação pode ser muito mais atrativo para os pacientes cardíacos do que os programas usuais. “Os benefícios físicos da Dança Grega podem proporcionar aos pacientes mais independência em sua rotina diária, os ajudando a caminhar e subir escadas. Eles também podem melhorar a coordenação e reduzir o risco de lesões por quedas. É possível que ela também traga benefícios cardíacos como os demonstrados nas aulas de Zumba com música latina”, ressalta o pesquisador.

Escultura grega em baixo-relevo retratando uma dança militar. Acervo do Museu do Vaticano.
Escultura grega em baixo-relevo retratando uma dança militar. Acervo do Museu do Vaticano.

Apesar do estudo com foco na Dança Grega ser inédito, não é de hoje que os gregos alardeiam os benefícios de dançar. Filósofos da Grécia antiga eram favoráveis a dança na formação dos cidadãos, não apenas como arte fundamental a um homem bem educado, mas como exercício para a musculatura. Os discípulos de Sócrates relatam que o pensador acreditava que os melhores na guerra eram aqueles que sabiam dançar.

E por falar em Dança Grega, lembramos da clássica cena de dança de Anthony Quinn e Alan Bates no filme “Zorba, o Grego”, de 1964.

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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

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