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O Swing dançante da música de Blubell

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“Você sabia que nos anos 20 o jazz era feito para se dançar?”. Esta pergunta foi feita no Facebook por Blubell, cantora e compositora paulista que tem conquistado elogios dos críticos e de colegas famosos como a cantora Marisa Monte. Sua música, uma mistura de MPB, Pop e muito Jazz, como ela mesma ressalta, tem um swing contagiante que incita a “chacoalhar o esqueleto”, seja em baladas mais calmas com um tom de blues, ou em um animado jazz. Para os que ainda não a conhecem, uma de suas músicas “Chalala”, foi tema de abertura da série Aline, da rede Globo, e a canção “What If”, faz parte da trilha sonora do filme Bruna Surfistinha. Sua voz também é marcante no comercial lançado recentemente pelo banco Itaú, uma versão da música “Change the World”, que ficou famosa na voz de Eric Clapton. Considerada pela crítica especializada como uma das grandes promessas femininas no cenário musical brasileiro, em entrevista à Dança em Pauta Blubell falou sobre sua mais nova paixão, a dança. “O bichinho do lindy hop me mordeu”, brinca ela.

Blubell dançando com Francisco Nogueira, do grupo HopAholics, na gravação de I Charleston SP

O contato com a dança surgiu em 2012, graças a produção de “I Charleston SP”, um vídeo que contou com a participação dos dançarinos do grupo HopAholics, de São Paulo. Além de fazer parte de uma homenagem mundial ao Charleston, este é o clipe oficial de “Música”, canção de autoria dela que é faixa de seu segundo CD “Eu Sou do Tempo em que a Gente se Telefonava” (clique aqui para saber mais sobre o vídeo). Durante o processo de produção, antes de iniciarem as gravações, Blubell foi convidada a cantar no Brasil Swing Out Stravaganza (BSOE), evento de dança organizado pelo grupo de lindy hoppers paulista em parceria com os cariocas do Rio Hoppers, onde paralelamente fez suas primeiras aulas de lindy hop.

“Foi uma paixão e um impacto, porque eu cresci numa cena de jazz em São Paulo que é muito cabeçuda, muito músico fazendo show pra músico e eu nunca me identifiquei muito. Aí quando me apresentei no BSOE e vi as pessoas dançando aquela música calminha que eu tava cantando, foi uma catarse pra mim, pensei: ‘poxa, que bom que as pessoas podem dançar ao som da música que eu faço’. Na verdade, foi isso que eu sempre quis”, relata a cantora.

A cantora em recente show no palco do Ibirapuera, em São Paulo

A segunda experiência de Blubell em um evento de dança foi em janeiro deste ano, quando a convite do dançarino argentino Gastón Fernández, ela também cantou e participou das aulas do Lindy Hop Argentina International Festival (LHAIF), em Buenos Aires. “Voltei de lá decidida a trocar as aulas de piano pelas de lindy e, desde fevereiro, estou fazendo aulas semanalmente com o professor Magoo”, conta ela sem tentar disfarçar a empolgação com a nova atividade. “Acho que ter um ouvido musical facilita muito o aprendizado, porque consigo sentir o pulso da música e o lindy é uma dança que está pulsando o tempo todo, mas é óbvio que não é só isso, tem que praticar”, diz.

E se o conhecimento musical tem ajudado no aprendizado do lindy hop, a prática desta swing dance também já vem mostrando seus efeitos nos shows da cantora. “Agora estou querendo fazer aula de Charleston solo também, porque só de fazer aula de lindy a minha movimentação no palco já mudou muito, meus movimentos estão muito mais ‘organizados’. Acho que hoje a dança e a música pra mim estão conectadas e isso já vinha de um movimento meu de pensar na minha performance. Sempre fui muito fascinada por musicais, meu filme favorito desde criança é Cantando na Chuva, o segundo é Hair, assisti A Noviça Rebelde umas 95 vezes. Então o lindy hop foi como juntar o quebra cabeça”, comenta.

Além de seguir com os shows do álbum “Eu Sou do Tempo em que a Gente se Telefonava”, e também com as apresentações ao lado do grupo Black Tie, Blubell planeja entrar em estúdio em maio para gravação de seu próximo CD, que será totalmente autoral, e tem previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. E com sua recente paixão assumida pela dança, ela conta que tem planos de realizar o Baile da Blubell. “Ainda está no papel, mas estou procurando lugares e parcerias pra fazer um show que seja estritamente pra dançar lindy hop”, antecipa.

Confira abaixo um vídeo feito durante o 2º Brasil Swing Out Extravaganza, em que os dançarinos Gastón Fernández, da Argentina, e Catrine Ljunggren, da Suécia, dançam ao som do blues de autoria de Blubell “La Vie En Chose”. Também separamos outro vídeo da participação de Blubell no programa Cantoras do Brasil, produzido pelo Canal Brasil. Ela foi uma das 13 talentosas cantoras da atualidade escolhidas para cantar sucessos de cantoras do passado.

Fotos: Fabiana Brandão, Carlos Alkmin, Pops Lops e Rodrigo Schmidt


Se quiser conhecer mais o trabalho da cantora, ouça também a sound cloud dos CDs “Eu Sou do Tempo em Que a Gente se Telefonava” e “Blubell & Black Tie”:

 

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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

1 Comment

  1. Uau adorei!! Moro em SP, mas não conhecia a cantora mas virei fã!! Tem umas ótimas pra dançar e as mais lentinhas uma delícia de ouvir. A versão de Ben do Michael Jackson então, não canso de escutar!! Próximo show dela estarei lá! 😉

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