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Nova temporada de Cantoras do Brasil traz o olhar feminino em obras inicialmente interpretadas por homens

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Em sua quinta temporada, o programa Cantoras do Brasil, transmitido pelo Canal Brasil, apresenta treze cantoras, expoentes do atual cenário musical brasileiro, dando uma roupagem feminina à obra dos homenageados, os compositores Sidney Miller, Sergio Sampaio, Torquato Neto e Waly Salomão, importantes autores do cancioneiro nacional. A direção é assinada por Jacob Solitrenick, e a seleção de conteúdo é feita por Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto, também idealizadoras do projeto.

A temporada teve estreia em novembro de 2016, com a cantora Marina de La Riva e, nesta terça (07/02), às 20h45, o novo episódio trará Estrela Leminski cantando a obra de Sérgio Sampaio e Torquato Neto.

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Estrela Leminski | Foto: divulgação

A paranaense nasceu em uma família de poetas – é filha de Paulo Leminski e Alice Ruiz. Assim como seus pais, iniciou sua carreira na poesia, mas o caminho para a música foi rápido. Para este episódio de Cantoras do Brasil, Estrela escolheu as músicas “Cruel”, de Sérgio Sampaio, e “Go Back”, que o Titã Sergio Britto compôs, na década de 80, baseado em um texto de Torquato Neto.

A lista de convidadas desta temporada inclui ainda outros destaques da nova safra musical brasileira: a carioca Barbara Ohana, a gaúcha Duda Brack, a mineira Sara Não Tem Nome, a baiana Luedji Luna, as paulistas Camila Garófalo e Laura Lavieri, a paraense Aíla, a pernambucana Isadora Melo, e Livia Nestrovski, nascida nos Estados Unidos. Cantoras do Brasil traz ainda uma dupla formada especialmente para a programação: Anna Trea, de São Bernardo, região do ABC Paulista, e Josi Lopes, de Belo Horizonte.

Homenagem aos “poetas malditos”
Tanto Sérgio Sampaio quanto Torquato Neto foram artistas ligados à contracultura brasileira e considerados “poetas malditos” da música popular brasileira. Uma das músicas mais famosas do capixaba Sérgio Sampaio, “Eu quero é botar meu bloco na rua”, lançada em 1972, foi censurada pela ditadura pela suposta incitação da população contra as Forças Armadas. Mesmo assim, a música foi sucesso no carnaval do ano seguinte. Sampaio morreu aos 47 anos, vítima de pancreatite.

Já o multiartista piauiense Torquato Neto não ficou só na música, transitando pelo jornalismo, a poesia e o cinema marginal. Contribuiu de forma contundente na obra de grandes cantores da MPB e escreveu letras em parceria com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Luiz Melodia, João Bosco e Edu Lobo, entre outros. Perseguido pela ditadura, Torquato se suicidou em 1972, aos 28 anos.

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