Comportamento, Em pauta

No saldo das Olimpíadas, saiba como a dança está presente na vida de muitos atletas

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Neste domingo o Brasil assistiu ao encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016, um evento que ficará marcado para sempre na história do país. Mas neste grande espetáculo, que une as nações a cada quatro anos, não é apenas na abertura e no encerramento que a dança se faz presente. Atletas de variadas modalidades afirmam que a dança pode auxiliar na preparação física e algumas técnicas usadas por bailarinos podem ser um diferencial em certas modalidades esportivas.

A atleta inglesa Sophie Hitchon, que conquistou medalha de bronze no Lançamento de Martelo Feminino na Rio 2016, acredita que o balé a ajudou a escrever seu nome na competição e levar a Inglaterra ao pódio da modalidade após 92 anos sem conquistas. “Eu fiz balé da pré-escola até os 10 anos de idade. Nunca seria uma primeira bailarina, mas acho que a dança fez muito por mim, me ajudou bastante”, comentou a atleta de 25 anos.

A atleta britânica Sophie Hitchon, do balé ao lançamento de martelo na Rio 2016
A atleta britânica Sophie Hitchon: do balé ao lançamento de martelo na Rio 2016. | Foto: arquivo pessoal

Mas se na modalidade de Sophie a preparação física que o balé pode trazer não fica tão clara, Antônio Carlos Gomes, que foi preparador físico do brasileiro recordista sul-americano do salto triplo, Jadel Gregório, explica o que a dança pode fazer por este esporte. Em 2011, ele incluiu a leveza e o controle dos movimentos do balé nos treinos do atleta: “No chão, um leão. Saiu do chão, um bailarino. Ou seja, pegar o solo com muita potência, muita velocidade. A partir do momento que ele ganha flutuação no ar, ele precisa ser o mais solto, o mais leve possível. Os movimentos têm que acontecer com muita amplitude”.

Jadel Gregório: leveza do balé para pairar no ar naa modalidade salto triplo.
Jadel Gregório: leveza do balé para pairar no ar no salto triplo. | Foto: Caio Guatelli/Folhapress

Enquanto Antônio aproveita os benefícios do balé “no ar”, outro preparador físico, Luís Augusto da Rosa, do Bolshoi Brasil, ressalta a técnica de dança para um salto mais alto, que pode beneficiar, por exemplo, jogadores de basquete. “Para saltar os bailarinos utilizam a força do pé e não só da musculatura mais acima. Começa de baixo e vai parar em cima, então é pé, panturrilha, quadríceps, glúteo, abdominal, o corpo todo é utilizado para a impulsão”, explica.

Já na Ginástica Artística, é nítida a forte influência da dança. Modalidade que evidência os desafios corporais na superação de limites, a plástica e beleza das séries executadas encantam o público. A elegância e leveza nas apresentações dos atletas deve muito a arte da dança. A ginasta Daniele Hypólito relata que as competidoras se beneficiam das aulas de balé desde pequenas. “Não temos que ser bailarinas, mas ter uma base do balé porque a gente utiliza muito nos movimentos da ginástica”, diz ela.

Daniele Hypólito: aulas de balé dão o tom de graciosidade aos movimentos das ginastas.
Daniele Hypólito: aulas de balé dão o tom de graciosidade aos movimentos das ginastas. | Foto: Rio 2016

E o que dizer então da dança dos pugilistas em um ringue de boxe? Para muitos pode ser difícil imaginar a conexão entre a brutalidade deste esporte e a leveza do balé, mas não para o ex-campeão mundial de pesos-pesados, Evander Holyfield (aquele que perdeu um pedaço da orelha direita ao ser mordido por Mike Tyson durante uma luta). No fim da década de 80, ele descobriu que o balé poderia ser uma arma poderosa dentro do ringue, trazendo mais flexibilidade, um diferencial dos demais competidores. “Eu me tornei campeão mundial dos pesos-pesados por causa daquela senhora (a professora de balé). Quando ela escorregou, quebrou o quadril e ficou sem ir aos meus treinos, perdi o título para Riddick Bowe”, declara.

O pugilista Holyfield em escola de dança em Los Angeles, relembrando o tempo das aulas.
Holyfield em escola de dança, relembrando o tempo das aulas. | Foto: SporTV/divulgação

E as comparações do balé com esporte não são recentes. Entre as décadas de 1950 a 1970, Maria Esther Bueno, a maior tenista do Brasil – recordista do Guinnes Book por vencer uma partida em apenas 19 minutos e incluída no International Tennis Hall of Fame, que homenageia os maiores tenistas do mundo -, ficou conhecida como “bailarina do tênis” pela forma harmoniosa de seus movimentos em quadra, com equilíbrio perfeito das mãos, da raquete e do corpo. Ela conta que anos atrás preparadores físicos introduziram a dança para ajudar na preparação dos tenistas.

CURIOSIDADES:
Ainda sobre a fusão esporte e dança, o programa de TV norte-americano “Dancing With the Stars” – um dos mais populares dos Estados Unidos, que tem sua versão brasileira com a “Dança dos Famosos” – terá a ginasta americana Simone Biles no elenco da próxima temporada. A atleta foi uma das principais estrelas da Rio 2016, conquistando quatro medalhas de ouro e uma de bronze em sua primeira participação em Olimpíadas. De acordo com a imprensa norte-americana, os participantes da 23ª temporada serão anunciados no dia 30/08, no programa “Good Morning America”.

Por aqui, os competidores da Dança dos Famosos 2016 foram anunciados ontem e o jogador de vôlei Marcelinho é o representante dos atletas na disputa.

O jogador de vôlei Marcelinho, na Dança dos Famosos 2016 |Foto: carol Caminha/Gshow
O jogador de vôlei Marcelinho, na Dança dos Famosos 2016 | Foto: Carol Caminha/Gshow
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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

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