Danças de Salão, Música & Dança

Música & Dança: um sublime encontro em nossos corpos

aba_music-tattoos

Você já parou para pensar que a música e a dança podem se fazer muito mais interessantes do que parecem, num primeiro e primitivo momento, se ultrapassarem a esfera do entretenimento? Juntas então, acredito poderem contribuir para a evolução e elevação moral do homem!

“Queres saber se um reino é bem governado, se a moral dos seus habitantes é boa ou é má? Observe a sua música.”
Confúcio, pensador e filósofo chinês.

O historiador Políbio conta que os Cinésios, povos estranhos a música, eram considerados os mais selvagens. Ele atribui com firmeza essa ferocidade ao fato de nada conhecerem dessa arte. Fala também sobre outro povo, que ousou dizer que a música só foi introduzida entre os homens para seduzi-los e desencaminhá-los através de certo tipo de encantamento. Políbio se opõe a isso dando o exemplo de outros povos que, tendo recebido de seus legisladores certas regras que estimulavam seu gosto por música, eram notáveis por seus hábitos gentis. Assim, Políbio atribui à música o poder de modificar o comportamento.

Antes disso, Platão, um apaixonado e estudioso filósofo, nunca deixou escapar em seus trabalhos a oportunidade de falar de música e demonstrar seus efeitos. Ele nos assegura, no começo do seu livro, A República, que toda a educação está contida na música. Em suas palavras: “O homem bom é um músico por excelência, porque cria uma harmonia não com o instrumento, mas com o todo da sua vida”. A beleza da música consiste, de acordo com Platão, na verdadeira beleza da virtude que ela inspira.

Neste artigo, estreando minha coluna, fiz questão de expor as ideias destes grandes pensadores para mostrar não só como a música exerce grande influência na vida das pessoas e da sociedade, desde os tempos mais longínquos, como também passar a você um pouco do que acredito: na magia da música e em sua intersecção com a dança formando algo único e sublime.

aula-sentidos_audicao

A busca na dança está em gerar harmonia com o próprio corpo e extrair dele os mais diversos elementos de movimento e fazê-los evoluir. Essa mesma busca acontece no corpo do outro, quando falamos de dança a dois, ou com o corpo de todos os outros quando pensamos em grupo.

Dançar num salão de baile, por exemplo, é um grande desafio de generosidade, busca pela harmonia e convívio em sociedade.

Quantas vezes você já teve que ceder espaço para outros casais? Teve que cuidar pra não se bater, machucar ou machucar o seu par? Quantas vezes teve que desacelerar para buscar harmonia no grupo ou com a música que ouvia, e quantas vezes você se viu acelerado, seja pela pressão dos outros casais, seja pela música ou pelo seu próprio par? Quantas vezes teve que diminuir ou aumentar o seu passo? E quando não fez nada disso, o que aconteceu?

Dançar ouvindo a música e interpretando o seu corpo e o corpo do(s) outro(s) é um grande, mas prazeroso, desafio de convivência. Imagine o quanto podemos aprender sobre nós mesmos, sobre o outro e sobre a sociedade em que vivemos se nos permitimos estar em um salão de dança? Precisamos compreender a sua vibração, o seu tempo, a sua leveza, o seu peso, a sua música, a sua química… Precisamos estar inteiros e conectados, conscientes do nosso movimento e conscientes do quanto o nosso movimento pode afetar o(s) outro(s).

Música e dança, duas grandes paixões em minha vida, assunto que, a partir de agora, passo a compartilhar nesta coluna no portal Dança em Pauta, um espaço aberto para reflexões e questionamentos.

E fica aqui minha primeira indicação de música, Anunciação, nesta linda versão em que Alceu Valença é acompanhado pela Orquestra Ouro Preto!

Referências Bibliográficas:

  • D’OLIVER, A. F. Música. São Paulo: Ícone, 2002
  • PLATÃO A República – texto integral. São Paulo: Martin Claret, 2003
Postagem AnteriorPróxima Postagem
Professora, promotora de eventos e DJ especializada em danças a dois é autora do livro “Música para Dança de Salão”. É formada em Educação Física, pós-graduada nos cursos de ‘Pedagogia do Esporte’, ‘Consciência Corporal – Dança’ e ‘Dança de Salão – Teoria e Técnica’. Também é formada em discotecagem pela AIMEC.

5 Comments

  1. Parabéns. Muita criatividade e harmonia em suas palavras. Música linda. Continue com esse sucesso.Índico a leitura a todos os públicos, pois música e dança são alegria e brincadeira e necessitamos por demais em nossas vidas.

  2. Parabéns , Sandra Ruthes!! Adorei sua coluna! Como tudo que você faz, tem conteúdo , inteligência e emoção !! Sucesso!! Sempre!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *