Eu danço

Mateus da Silva: talento ‘made in Recife’ no mercado de musicais dos EUA

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A dança na vida de Mateus Barbosa da Silva, natural de Recife, foi uma desculpa que deu certo. Tímido, aos 8 anos o garoto foi colocado pelos pais num Drama Club (atividade que reúne dança e teatro) em uma escola de inglês, na expectativa que ele fizesse amigos e se tornasse mais extrovertido. O que ninguém esperava é que isso fosse virar profissão. Hoje, aos 22 anos, o garoto, que já fez faculdade de dança nos Estados Unidos, vive de arte. Ele está em cartaz no The Fireside Theatre em Fort Atkinson, Wisconsin, estrelando um dos personagens de Newsies, um dos mais famosos musicais da Disney.

mateus-barbosa_eu-dancoBaseado no filme de 1992, com o mesmo nome, o musical Newsies estreou na Broadway em 2012 e garantiu o Tony Awards de melhor coreografia, para Christopher Gattelli. O espetáculo conta a história real da greve dos Newsboys, vendedores de jornal em 1899. Naquele tempo, os Newsies eram crianças e adolescentes órfãos e moradores de rua, que trabalhavam vendendo jornais para ganhar um trocado e sobreviver na cidade de Nova York. “Apesar de ter músicas incríveis, em minha opinião, o que faz esta obra se destacar das demais são os grandes números musicais, que são dançados por um corpo de baile completamente masculino”, comenta Mateus.

Entre as centenas de pessoas que participaram da audição para Newsies, ele foi escolhido para ser um dos bailarinos em destaque, interpretando Romeo, vendedor de jornal que participa da greve. “Meu maior desafio nesse musical foi a parte da dança, porque a coreografia exige muita técnica, com vários saltos, acrobacias e uma movimentação altamente atlética”, relata.

Nascido para dançar

Mateus conta que passou a infância participando de musicais no Drama Club como o Sister Act II, Oliver Twist e The Lion King, neste último conquistando o Troféu Paulo de Castro de melhor bailarino e melhor ator mirim em 2005. Aos 14 anos, passou a focar mais nas aulas de dança, investindo no jazz dance, e daí para a vida nos EUA foi um salto.

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Em 2012, prestes a encerrar o ensino médio, como não havia nenhum curso de bacharelado em Teatro Musical no Brasil, ele se candidatou para oito universidades norte-americanas com reconhecidos cursos na área. Foi aprovado em todas e escolheu a West Texas A&M University, em Canyon, no Texas. “Estudando em uma universidade norte-americana, pude viver e respirar dança, música e teatro 24 horas por dia, o que, acredito, acelerou meu crescimento como artista. No âmbito profissional, os EUA também oferecem bem mais oportunidades de trabalho na área artística, não só em centros cosmopolitas como Nova York e Los Angeles, mas em todos os estados”, comenta.

Na universidade, Mateus teve aulas de dança moderna, jazz, ballet, sapateado e yoga, entre outros. Uma formação que visa formar bailarinos versáteis. “Isto é fundamental no mercado de teatro musical, no qual todo tipo de dança, seja hip hop, salsa ou danças africanas, é usado nos palcos. Mas, apesar de sempre procurar a versatilidade, minha primeira e grande paixão sempre será o jazz”, diz.

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Em 2016, ele mudou para Nova York para fazer um curso intensivo profissionalizante, com foco em Jazz Musical, da Broadway Dance Center, uma das escolas de dança mais famosas dos EUA. Lá ele teve a oportunidade de estudar com grandes nomes da Broadway como David Marquez, Karla Garcia, Josh Assor, Chip Abbott, Chaz Wolcott e Jason Wise. Ao final do curso, participou de um show para agentes de Nova York e recebeu o convite para ser agenciado pela LDC (Lucille DiCampli), agência que representa vários atores e bailarinos.

Ao que tudo indica, a participação em Newsies é só o começo da trajetória de Mateus, que já estuda outras propostas de trabalho em musicais nos EUA. “Na dança eu me sinto em casa, me sinto como a melhor forma de mim mesmo, como se tivesse nascido para fazer isso. Quando paro de dançar eu literalmente me sinto doente, meu corpo começa a doer, fico cabisbaixo, com falta de energia. Pretendo dançar até morrer! Serei aquele velhinho sorridente fazendo aula de dança”, afirma o bailarino.

Fotos: divulgação

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