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Grupo Corpo estreia espetáculo com trilha sonora exclusiva de Gilberto Gil

No dia 07/08, no Teatro Alfa, em São Paulo, o Grupo Corpo inicia sua turnê 2019 com a estreia nacional de seu novo espetáculo, GIL, que conta com música especialmente composta por Gilberto Gil. Na sequência o grupo se apresenta nas capitais Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Como em todas as criações do coreógrafo Rodrigo Pederneiras, os movimentos do novo balé nasceram da música. Mas a trilha engendrada por Gilberto Gil para o novo espetáculo do Grupo Corpo, a convite do diretor artístico Paulo Pederneiras, chegou trazendo um paradoxal desafio ao coreógrafo: ali estavam, juntos e indissociáveis, o conhecido e amado Gilberto Gil e um compositor inteiramente novo. “Era um Gil que eu não conhecia e, ao mesmo tempo, o Gil de quem sou tiete desde que ouvi sua música pela primeira vez”, diz Rodrigo.

A fagulha inicial para erguer a coreografia veio, então, de fora da música – um gesto inicial, buscado no candomblé. “Gil é filho de Xangô e usei como ponto de partida o movimento associado à presença do orixá: uma das mãos do bailarino bate no peito e a outra, nas costas. E assim o balé começou a se construir”, conta o coreógrafo.

Cena do espetáculo GIL, do Grupo Corpo. | Foto: José Luiz Pederneiras

A “riquíssima trilha”, nas palavras de Rodrigo, se traduziu nos duos, trios e conjuntos que se alinham e desarmam, nos uníssonos e contrapontos gestuais, peças sempre renovadas do vocabulário marcante do coreógrafo. Mas GIL não tem o clássico momento do pas-de-deux, como explica Rodrigo: “a trilha não traz o tradicional adágio, a parte mais lenta da música, onde frequentemente está o pas-de-deux”. Curiosamente, a única criação de Rodrigo que também não tem o clássico dueto é “Sete ou Oito peças para um Ballet”, de 1994, com trilha de Philip Glass/Uakti, obra que também fará parte da apresentação.

As muitas singularidades de GIL, a bem da verdade, já haviam começado na proposta do diretor artístico, Paulo Pederneiras, ao compositor: “Gil sempre esteve no nosso radar. Na primeira conversa, já me veio a ideia de sugerir que a coreografia se chamasse GIL. Normalmente o músico tem liberdade total – e agora não foi diferente – mas a sugestão que se debruçasse sobre a própria obra se consolidou naquele momento. E GIL se inscreve, então, entre os compositores que dão nome a coreografias do Grupo Corpo – já tínhamos feito essa homenagem a Bach, Nazareth e Lecuona”.

Música

Os irmãos Rodrigo e Paulo Pederneiras com Gilberto Gil  durante ensaio do novo espetáculo. | Foto: José Luiz Pederneiras

“Recebi o convite do Grupo Corpo com alegria, mas também com certa preocupação na medida em que a ideia era a de denominar a peça GIL, concentrar a criação no trabalho, que tem muitas influências baianas, do samba, da música pop em geral”, conta o compositor, que enxerga no arco da trilha de 40 minutos quatro temáticas, ou ambientes musicais – a de um choro instrumental; uma abordagem camerística (com inspiração “em Brahms ou Satie”, aponta ele); um terceiro momento de liberdade improvisadora e, finalmente, uma construção abstrata baseada em figuras geométricas. “Círculo, triângulo, retângulo, pentágono, a volta ao círculo e finalmente a dissolução numa linha reta”, explica Gilberto Gil.

Assim, a trilha de GIL também foge do habitual encaminhamento para o fim, “em vez de um ápice, temos quase um fade out, um ralentando”, descreve Rodrigo. O fechamento da trilha traz ainda um poema concreto recitado por Gil, onde as cinco letras de CORPO se desdobram em CRAVO, CEDRO, FLORA, PALCO, PERNA, BRAÇO, PEDRA.

Pontuam os 40 minutos da trilha frases de canções de Gilberto Gil – retrabalhadas, mas perfeitamente reconhecíveis nas suas variações. Ali estão fragmentos de Aquele Abraço, Realce, Tempo Rei, Andar com Fé, Toda Menina Baiana, Sítio do Picapau Amarelo, Raça Humana. Nos arranjos, se alternam os tambores ancestrais e as distorções do aparato eletrônico; o afoxé e o naipe de sopros de pegada jazzística; a modinha e o berimbau. As citações bailam entre si, entrecruzando-se e dialogando enquanto o arco da trilha avança. “Com a divisão em quatro segmentos, atendemos à alternância entre movimentos mais densos, mais rítmicos, e momentos mais suaves, mais baladísticos. Ouvindo o resultado final, percebo que há muitos elementos da minha dimensão rítmica mesmo, elementos da Bahia, da música afro-baiana”, conclui o compositor.

Cenário, luz e figurinos

Bailarinos do Grupo Corpo em cena do espetáculo GIL. | Foto: José Luiz Pederneiras

“Gil é uma figura luminosa, plural – e qualquer corte, qualquer tentativa de definição é redutora”, pondera o diretor artístico Paulo Pederneiras, que assina o cenário e divide a concepção da iluminação com Gabriel Pederneiras. A imagem é a de um tapete – de 20m de altura por 12m de largura – que desce do urdimento até a boca de cena, em fundo infinito; um linóleo de um amarelo aberto, sólido. Na iluminação, Paulo buscou um novo recurso: “mergulhamos num universo completamente novo usando moving lights, equipamento comumente usado em shows musicais. Haverá também, por assim dizer, contradança de bailarinos e as luzes, sempre brancas”.

Os vinte bailarinos estão vestidos de uma “brasilidade moderna”, na definição de Paulo. Os figurinos criados por Freusa Zechmeister – malhas inteiriças – têm base negra onde estão aplicados recortes multicoloridos extraídos e inspirados na criação da artista plástica Joana Lira. São flores, listras, triângulos, grafismos. “Tudo a ver com o Brasil, com a África. E com a alegria”, encerra o diretor artístico.


O que: turnê 2019 Grupo Corpo – espetáculos “GIL” e “Sete ou Oito Peças para um Ballet”
Programação:

  • SÃO PAULO
    Quando: 07 a 11/08 e 14 a 18/08
    Onde: Teatro Alfa
    Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro
    Quanto: Plateia R$ 190,00 | Plateia superior R$ 75,00
    Informações: (11) 5693-4000 | 0300 789-3377
  • BELO HORIZONTE
    Quando: 27/08 a 01/09
    Onde: Palácio das Artes
    Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro
    Quanto: Plateias I e II R$ 130,00 | Plateia superior R$ 100,00
    Informações: (31) 3236-7400
  • RIO DE JANEIRO
    Quando: 10 a 15/09
    Onde: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
    Praça Floriano, s/no, Centro
    Quanto:
    Frisas e Camarotes R$ 900
    Plateia e Balcão Nobre R$ 150,00
    Balcão Superior R$ 110,00
    Galeria R$ 60,00
    Informações: (21) 2332-9191
  • PORTO ALEGRE
    Quando: 02 e 03/11
    Onde: Teatro do Sesi
    Av. Assis Brasil, 8787 – Sarandi
    Quanto: ingressos ainda não estão à venda
    Informações: (51) 3347-8787
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