Forró em Pauta, Música

Frutificando: a nova geração do forró

A maioria dos grandes nomes do forró, aqueles que sempre foram da base do ritmo, que o criaram, fizeram a fama e divulgaram para todo o país e o mundo, já se foi: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, a principal formação do Trio Nordestino, João do Vale e por aí vai. Dessa base ainda temos Dominguinhos, Genival Lacerda e Parafuso de Os 3 do Nordeste. No mais, temos as gerações posteriores que abraçaram o forró e continuam fazendo a beleza dessa importante peça da nossa cultura.

Mas não quero agora falar dos grandes nomes que vieram logo a seguir, nem mesmo do lado “b” do ritmo, que são músicos pouco conhecidos do público em geral e mais cultuados pelos fãs do gênero, quero é falar dessa novíssima geração que vem por aí arrebatando os mais aficionados. Também não acho que estes devam ser comparados com os que iniciaram o ritmo, na verdade comparações são sempre muito complicadas, por vezes injustas e dependem demais do que comparar, como e sob qual ângulo, além, é claro, de sempre levar em conta preferências pessoais, difíceis de serem postas de lado quando somos apaixonados por este ou aquele.

Diego Oliveira, um dos representantes da nova geração, que iniciou carreira solo em 2010. O cantor era um dos integrantes da banda Meketréfe, que conquistou 1º lugar no Festival Nacional Forró de Itaúnas, em 2007.

De qualquer maneira, aqueles primeiros que citei, sobretudo Gonzaga, criador do baião; Jackson, o rei do ritmo e o primeiro a misturar vários deles; Dominguinhos, mestre sanfoneiro e totalmente ligado ao forró; e Marinês, conhecida como a melhor cantora nordestina; soam quase unanimidades, mas embora o trabalho deles seja eterno, a vida não é e o forró precisa prosseguir. Salvo Dominguinhos, prestes a lançar mais um CD e que terá, pelo menos, mais uns 20 anos de trabalho profícuo, precisamos nos atentar às novas gerações, dando força, valorizando e divulgando. Não por piedade ou dando chance, mas porque reconhecidamente tem muita gente talentosa “beirando” o forró. Falo de inúmeros, o termo é este mesmo, inúmeros músicos, bandas e trios, cada um com características próprias, trazendo novos valores de norte a sul do país.

De certa forma, é leviano de minha parte citar nomes, provavelmente esquecerei alguns, mas existem vários e vários excelentes exemplos de bandas iniciadas de dez anos para cá que merecem ser ouvidas com muita atenção: Trio Alvorada, Trio Dona Zefa, Três do Forró, Trio Remelexo, Trio Candieiro (na foto do início do texto), Ó do Forró, Flavinho Lima, Sinhá Flor, Trio Bastião, Raízes do Sertão, Chá De Zabumba, Fim de Feira, Mariana Melo, Maria Filó, Trio Juriti, Mestrinho, Cezinha, Dona Zaira, Diego Oliveira, Trio Macaíba e, como disse antes, mais um monte de gente que eu me esqueço agora, mas que vem fazendo forró muito bom.

Segue aqui, como sugestão aos que querem conhecer bem o ritmo e mantê-lo em alta, ouvir sempre os tradicionais, pois eles são a base de tudo e devem ser mantidos sempre vivos, mas ouçam as gerações posteriores, inclusive estas atuais. O mesmo se aplica aos shows, quando puderem Dominguinhos e Genival são imperdíveis, mas toda essa nova geração faz forró delicioso de se ouvir e dançar.

O forró pode até não aparecer muito na mídia, mas no seu canto ele se mantém muito vivo e frutificando cada vez mais. Uma hora alguém importante percebe a qualidade do que está acontecendo e mais uma vez o ritmo reaparece nacionalmente com a força que merece. Quem sabe o centenário de Luiz Gonzaga não seja um bom mote?

Fotos: divulgação

 

Confira abaixo um vídeo da apresentação do Trio Sinhá Flor no programa de Rolando Boldrin na Tv Cultura. Em 2008, este grupo feminino de forró pé de serra conquistou o 1º lugar no Festival Nacional Forró de Itaúnas, evento que todos os anos revela novos talentos.

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Empresário e produtor no meio cultural, envolvido com o forró desde 1991, proprietário do Canto da Ema, uma das principais casas de forró de São Paulo. Criador do Dia Nacional do Forró (13 de dezembro). É apresentador e produtor do programa “Vira e Mexe”, na Rádio USP 93,7 FM, direcionado ao ritmo nordestino. O cantor Dominguinhos era seu parceiro na apresentação do programa.

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