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Flamenco: a dança que liberta!

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A rotina atribulada está te estressando? Você é tímido e tem dificuldade em se expressar no dia a dia? Está em busca de uma atividade que faça seu coração bater mais forte? Em todos estes casos a dança flamenca pode ser o que você procura para se libertar!

“No Flamenco, o conhecimento leva a liberdade de expressão”, comenta o guitarrista Jony Gonçalves que, ao lado da bailaora Miri Galeano, dirige a escola Perla Flamenca, em Curitiba. O comentário se refere ao fato do aprendizado dos fundamentos da cultura flamenca, originária da região de Andaluzia, na Espanha, possibilitar o que é uma forte característica desta dança, o improviso, em uma ‘brincadeira’ entre baile (dança), guitarra espanhola (violão) e cante (voz).

Mas para entrar nesta brincadeira é preciso primeiro entender a cultura flamenca e se permitir expressar as emoções humanas mais primitivas que ela retrata como raiva, dor, medo, alegria e paixão, processo em que cada pessoa acaba acessando suas próprias emoções e vivências. “Tudo no flamenco está conectado, tudo fala o mesmo idioma. Na hora de dançar você não está sozinho, precisa estar em sintonia com o cantaor e o guitarrista, cada um dos três vai expressar a sua experiência de vida de acordo com o palo (ritmo)”, explica Miri.

A bailaora Miri Galeano em edição do Perla Flamenca Tablao. | Foto: Letícia Volpi/divulgação
A bailaora Miri Galeano em edição do Perla Flamenca Tablao. | Foto: Letícia Volpi/divulgação

Com uma arte tão rica, aprender a dança flamenca pode parecer complicado, mas uma das alunas de Miri, a administradora Ana Rossi, garante que não. Fazendo aulas há apenas três anos, ela conquistou este ano o 1º lugar na categoria amadora na mais importante competição do gênero no Brasil, na Feira Flamenca, em São Paulo: “Se você quiser se aprofundar tem muito para aprender, mas não é uma dança que precise de extrema técnica o tempo inteiro pra poder desenvolver. Um pouco que você aprenda já consegue colocar seu sentimento e transformar em dança. Além disso, a Miri tem um jeito de conduzir a aula que faz você dançar dentro de suas possibilidades”.

A bailaora Ana Rossi, 1º lugar - categoria amador no Certamen da Feira Flamenca 2017 | Foto: divulgação
A bailaora Ana Rossi, 1º lugar – categoria amador no Certamen da Feira Flamenca 2017 | Foto: Gelson Bampi/divulgação

Outra aluna do Perla Flamenca, a funcionária pública Letícia Volpi, também ressalta o que ela chama de ‘jeitinho próprio’ do casal dar aula, como facilitador do aprendizado: “Garanto que na primeira aula com eles você já vai dançar e sair feliz”. Estudante de flamenco há 10 anos, ela já fez aulas e workshops com vários professores, no Brasil e na Espanha, e destaca entre os inúmeros benefícios da dança o relaxamento proporcionado. “Pra mim é como uma meditação. Quando entro em sala de aula deixo o mundo lá fora e me conecto com meu interior. Você esquece todos os problemas ali, é um momento só seu, a cabeça limpa e você se concentra na dança, no ritmo”, comenta Letícia.

Ana Rossi também ressalta a terapia proporcionada pela dança. Ela conta que, num período que precisou parar as aulas, as pessoas mais próximas a ela diziam que devia voltar, pois se mostrava mais calma e feliz quando praticava flamenco. “Muito mais do que uma atividade física apenas pelo exercício, o sentimento que o flamenco envolve alivia tudo. Pra mim o maior benefício foi me proporcionar uma vida mais prazerosa”, diz Ana.

Dos pés descalços aos figurinos

Roupa confortável, sem preconceito, de alma aberta e… descalço. Esta é a recomendação da professora Miri Galeano aos alunos que vão fazer sua primeira aula. Mas como, se uma das características marcantes da dança flamenca é o sapateado? Apesar de incomum, ela explica que o método é usado também por outros mestres do flamenco. O objetivo é fazer com que o aluno sinta o ritmo no pé, interiorize a dança, adquira segurança, para então usar as roupas e acessórios característicos.

A bailaora Ana Medeiros com figurino confeccionado pela Riatitá | Foto: divulgação
A bailaora Ana Medeiros com figurino confeccionado pela Riatitá | Foto: divulgação

E roupas e acessórios para esta dança é que não faltam. “A emoção de dançar o flamenco no palco começa desde sua maquiagem, do cabelo, da preparação dos acessórios, enfeites na cabeça, flores, brinco, tudo é pensado pra dar um resultado legal. Você tem que se olhar no espelho e se sentir o máximo, a melhor bailaora”, comenta Ana Rita, proprietária da marca Riatitá Flamenco, de Canoas-RS, que revende acessórios e confecciona saias, calças, vestidos, blusas, boleros e muito mais, para aulas e figurinos e também para o dia a dia dos apaixonados por flamenco.

Ana participou de apresentações de dança flamenca por oito anos, e durante este período criou a marca cujo nome traz em cada sílaba um toque das castanholas, instrumento que a cativou desde o primeiro instante. “Quando decidi fazer aulas, fui com minha irmã a escola da Cadica Costa, em Porto Alegre. Ao entrar escutei o sapateado e o som das castanholas e me arrepiei toda. Ali eu disse, é isso que eu quero”, recorda.

Mas a vestimenta e acessórios na dança flamenca são muito mais que um figurino para apresentações. Além das castanholas, peças como o mantón (xale), pericons e abanicos (leques grandes e pequenos), bata de cola (saia com cauda longa) e bastón (bengala de madeira), são utilizadas para compor a dança, seja ela coreografada ou de improviso, merecendo aulas específicas para aprender a usar cada um destes acessórios.

Chamada para os iniciantes na arte flamenca!

Se você chegou até aqui encantado(a) com a possibilidade de iniciar as aulas de dança flamenca, aí vão as respostas a algumas dúvidas comuns aos iniciantes:

Quem pode dançar Flamenco?

Com exceção de pessoas com restrições médicas a atividades físicas, a dança flamenca poder ser praticada por qualquer pessoa, sem limite de idade, peso ou altura. A bailaora Carmen Romero, há 24 anos atuando como professora em Curitiba, relata com orgulho o caso de uma aluna que, aos 71 anos, sofrendo de sedentarismo e obesidade, se inscreveu numa turma para aprender a tocar castanholas. Com o tempo passou para a dança flamenca e, hoje, um ano depois, perdeu 20kg e ganhou autoestima. “Ela não emagreceu com a dança, mas o flamenco a fez recuperar a autoestima. Ela passou a se cuidar, se gostar mais. É muito gratificante observar esta transformação que a dança proporciona”, comenta Carmen.

O bailaor Neri Schmidt Jr., no Perla Flamenca Tablao. | Foto: Gelson Bampi/divulgação
O bailaor Neri Schmidt Jr., no Perla Flamenca Tablao. | Foto: Gelson Bampi/divulgação

As turmas são mistas, homens e mulheres fazem a mesma aula?

Sim. Os passos e a movimentação são basicamente os mesmos para todos, o que muda é que cada um vai colocar as suas características ao se expressar. “Acho que ainda tem certo tabu aqui no Brasil de que o flamenco é mais para mulher, mas não tem distinção de sexo pra dançar. É só você experimentar e se gostar daquilo que a dança tem pra te oferecer, foi pego”, brinca Neri Schmidt Jr., que faz aulas há um ano no Perla Flamenca e declara sem hesitar seu amor por esta dança.

Qual a periodicidade das aulas?

Para os iniciantes na dança flamenca Miri diz que o ideal são aulas no mínimo duas vezes por semana, mas cada um pode aprender de acordo com sua disponibilidade e objetivos. “Tenho alunos de todos os tipos, dos que querem se profissionalizar aos que buscam simplesmente o prazer da dança”, comenta.

Quanto tempo leva para aprender a dançar?

Como em qualquer outra atividade que iniciamos a pressa em aprender é grande, mas paciência é a recomendação para que a ansiedade não atrapalhe sua trajetória. “Cada um tem o seu ritmo de aprendizado, mas em geral dentro de 3 a 4 meses de aula o aluno já tem uma noção de sapateado e movimentos de braço, conseguindo fazer uma sequência de passos”, explica Miri.

Você encontra mais informações sobre produtos e serviços citados nesta matéria no Guia Dança em Pauta.

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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

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