Colunas, Danças de Salão, Forró em Pauta

Festa, Xotes, West Coast Swing e muito Xaxado

Quero começar este artigo elogiando a festa da Dança em Pauta, agradecer o convite, a organização, o cuidado com nós, turistas de ocasião, e a festa em si, muito gostosa e pedagógica.

Confesso que nunca havia ido a uma festa de dança de salão, nem sei dizer se o que vi é o que se acha comumente em festas desse tipo, só posso dizer que adorei. Muito legal os diversos ritmos bem variados com excelentes dançarinos se esbaldando na pista.

Como estou mais acostumado a baladas, e muito mais ainda com forró, estranhei a falta de uma certa malícia nas pessoas. Todos estavam ali pra dançar, dançar e dançar, pelo menos foi a impressão que tive. Nada de beber e nem de conversar muito, era apenas dança, e isso não é crítica, mas uma constatação engraçada e de certa forma coerente com a festa que estava acontecendo, achei legal.

Outra coisa que gostei de ver é como a dança faz bem as pessoas. Eu as via antes de dançar e depois na dança, era como se cada uma estivesse no ápice de sua vida, em um palco com milhares de pessoas olhando, pois cada uma parecia extremamente concentrada no que fazia e com movimentos semelhantes a um espetáculo, com cuidado em cada manobra e gesto. Quando a música parava ficava o sorriso e a felicidade do casal por alguns segundos, pois rapidamente as mulheres eram tiradas por novos e afoitos parceiros para mais rodopios no salão.

Claro que fiquei de olho em como aconteceria com o forró, pois estava lá como representante e colaborador da revista, justamente desse ritmo, e não pude deixar de fazer observações que me parecem pertinentes aos que gostam de forró.

A primeira coisa que me chamou a atenção foram as músicas. Esperava achar algumas coisas mais batidas e de intérpretes mais conhecidos e confesso que algumas eu não conhecia e nem sabia quem cantava. Eram todos de bandas recentes, o que não deixa de ser bom, mas como amante do gênero sempre acho que seria legal variar com mais tradicionais e, por convicção própria, sem ter nenhum respaldo legal para exigir ou pedir, sempre acho que deveria tocar um Luiz Gonzaga em todo local que tocar forró. De preferência com o próprio Rei do Baião. Em falta dele, Dominguinhos e Jackson já seria bom. De qualquer maneira fiquei feliz por ouvir Arleno Farias cantando “Sanfoninha”, de Chico César.

Mais uma constatação é que a pista ficava muito cheia quando tocava forró. Não sei se era o momento mais cheio, mas com certeza era um dos mais e isso me enchia de orgulho. Claro que vão dizer que é porque é mais fácil, mas prefiro achar que é porque é mais gostoso. Talvez não seja o preferido da maioria, mas pode ser aquele que quase todos gostam e ajuda a descansar um pouco dos malabarismos contorcionistas e atenção que os outros ritmos exigem.

Público no embalo do xote, na Festa de 1 Ano da revista Dança em Pauta

Por fim queria recordar o que mais me espantou com relação ao forró na festa. Quase todas as músicas tocadas eram xotes e isso me fez pensar de novo sobre a predileção das pessoas. Será que se os professores e DJ’s insistissem mais em baiões, arrastapés, xaxados, cocos e o próprio forró, o ritmo não seria mais procurado? Digo isso não com alguma coisa contra o xote, que adoro, mas músicas mais rápidas podem propiciar manobras diferentes e assim atingir mais os amantes de dança de salão apaixonados por passos acrobáticos. Um baião lento já ajudaria, um arrastapé acelerado poderia ser bem atraente, pois é completamente diferente. Quem sabe um coco pautado na tradicional dança de coco de embolada e devidamente adaptado pelos diversos e competentes professores de dança de salão não seria uma coisa bacana, criativa e interessante. Adoro dançar coco e fico imaginado como seria com passos coreografados assim como vi com o West Coast Swing, tango e demais ritmos.

Talvez por ser apaixonado demais pelas coisas do Brasil, fico achando que poderíamos usar melhor a matéria-prima genial que temos no país também na dança de salão, pra exportar mais um excelente produto nacional. Adoraria ir pra costa oeste americana e dar de cara com um monte de gente no xaxado.

“Bora” dançar forró?

Fotos: Dança em Pauta / Simone Tristão e Daniel Tortora

Previous ArticleNext Article
Empresário e produtor no meio cultural, envolvido com o forró desde 1991, proprietário do Canto da Ema, uma das principais casas de forró de São Paulo. Criador do Dia Nacional do Forró (13 de dezembro). É apresentador e produtor do programa “Vira e Mexe”, na Rádio USP 93,7 FM, direcionado ao ritmo nordestino. O cantor Dominguinhos era seu parceiro na apresentação do programa.

3 Comments

  1. Quando li este texto muito bem escrito e de uma percepção apurada, com colocações pertinentes, fiquei analisando as diferenças entre o baile da dança de salão e as baladas de forró. Bem observado Paulinho, falta malícia nestas pessoas e acho que estes bailes são uma extensão das aulas que eles praticam. Eles estão dançando com os colegas, não querem se expor e nas aulas raramente os casais dançam de rosto “coladinho” ou se quer juntinhos. Já fui em alguns bailes de academias, já frequentei as aulas de dança e o que percebi é que quando a escola é frequentada por pessoas de mais idade, raramente elas bebem, raramente existe malícia, raramente dançam de olhos fechados e raramente existe paquera. Na minha opinião, se elas se soltarem um pouco, tomar uma “cervejinha”, vão aproveitar muiiitooo mais. Não sabem o que estão perdendo…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *