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Espetáculo de afro-butoh mistura artes marciais com a força dos orixás

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De 21 a 23/07, o Centro Coreográfico do Rio de Janeiro apresenta o espetáculo de dança “Oju Obá – O olho do rei que cai, o olho do rei que se levanta”. O espetáculo, que estreou na Tailândia, no 11º International Butoh Festival, em dezembro de 2016, é uma criação do dançarino e diretor de teatro Calé Miranda intitulada afro-butoh, que mistura a potência das artes marciais a força dos orixás africanos.

Oju Obá é uma expressão em yoruba que significa “o olho do rei”. Inspirada em Rei Lear, de Shakespeare, e em lendas sobre o Orixá Xangô, deus da justiça e do fogo na mitologia afro-brasileira, a performance parte da ideia do rei que envelheceu antes de ficar sábio. Este rei, cheio de orgulho e pretensão, precisou cair para revisitar sua existência e reaprender como ser sábio para, enfim, levantar-se e retomar a confiança dos seus seguidores. Ambos, Xangô e Lear, são homens velhos e tolos que colocam as suas vontades acima das necessidades de seus reinos. Precisam expiar seus erros até que se tornem merecedores do poder que lhes foi confiado.

A vigorosa dança de Xangô é impulsionada pela dança interior proposta pelo butoh, onde diferentes densidades e estados do corpo propõem a evolução da coreografia. Calé faz uma relação entre a energia “QI” (tchi), utilizada nas artes marciais orientais e na dança butoh; e o “axé”, força necessária para fazer o Orixá dançar no corpo do iniciado no Candomblé. Segundo o performer é esta associação entre as duas tensões de energia que provoca a sua dança, que ele chama de afro-butoh.

butoh-caleSobre Calé Miranda
Performer e diretor de teatro dedicado há mais de 10 anos à dança butoh japonesa. Em sua pesquisa artística, une esta forma de arte iniciada no Japão nos anos 60 à mitología afro-brasileira. Este trabalho peculiar vem despertando cada vez mais o interesse de diversos festivais e programadores internacionais. Com suas criações, Calé está construindo uma ponte constante de intercâmbio entre o Brasil e diversos países. Já se apresentou na França, Itália, Espanha, Tunísia, Peru, Tailândia, entre outros. Foi o primeiro brasileiro a cumprir temporada no Centre Bertin Poirée em Paris, teatro sede do movimento butoh na França, porta de entrada do butoh no Ocidente. Em 2013, o brasileiro apresentou seu espetáculo Ori no importante festival anual de butoh do Centre Bertin Poirée.


O que: espetáculo de buttoh “Oju Obá”
Quando: 21 e 22/07, às 20h | 23/07, às 18h
Onde: Teatro Angel Vianna – Centro Coreográfico do Rio de Janeiro
Onde: Rua José Higino, 115 Tijuca | Rio de Janeiro–RJ
Quanto: R$30,00 (inteira)
Informações: (21) 3238-0601 | 3230-0357

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