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Espetáculo da Caio Nunes Cia. de Dança aborda o excesso de interatividade nas redes

De 07 a 10/02, o Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro, espaço da Fundação Nacional de Artes (Funarte), recebe o espetáculo ‘Distribuídos em Rede’, da Caio Nunes Cia. de Dança. O projeto, que é fruto de pesquisa coreográfica sobre a profusão da troca de informações tecnológicas na vida atual, também inclui oficinas gratuitas de Composição Coreográfica e Dança Contemporânea, para alunos de níveis intermediário e avançado, a partir de 14 anos de idade.

Com expressões de humor, a obra traz referências à publicação e intercâmbio constante de imagens divulgadas em redes sociais. “O trabalho aborda a profusão de informações que temos sobre o outro, e questiona se conseguimos ter esta mesma visão ao contrário. O outro somos nós mesmos”, explica o diretor da companhia, Caio Nunes. Com dramaturgia e criação de movimento de Carlos Laerte, a peça também questiona o vício do voyeurismo, presente em alguns momentos do cotidiano, que, nas redes, coloca o outro em segundo plano.

O espetáculo busca mostrar o deslocamento das pessoas pelo universo digital virtual, segundo o diretor, um “lixão tecnológico”, mas que nos permite “observar, ser observados, cavar, tocar e experimentar o tempo todo, sem limites” e olhar os nossos próprios questionamentos, individuais ou coletivos, nesta “terra de ninguém”.

Cia de Dança Caio Nunes no espetáculo ‘Distribuídos em Rede’. | Foto: Sou Mais Dança/divulgação

O palco é produzido como uma grande instalação, com vários objetos por ele espalhados, criando um ambiente para cada intérprete e sendo transformado ao longo do espetáculo. O objetivo é levar o público a sensações não habituais na cena, como, por exemplo, a de um grande vício em uma rede social. Fotos, figuras e vídeos figuram na peça como “prisões sociais”, que levam as pessoas a “sensações incontroláveis” e à artificialidade. “O que é artificial, se estamos todos neste vicio virtual?”, questiona o grupo.

Na pesquisa para o projeto, Laerte e o coletivo observaram sempre a experiência do desejo humano pelo outro, mas num lugar seguro como uma cadeira ou um sofá. “Nas redes, as pessoas fazem o que querem e de fato se expõem, sem nenhuma crítica. Temos neste universo uma falsa sensação de liberdade. Nos colocamos em um patamar de vaidade tão presente que hoje é impossível voltar atrás”, diz Caio, observando que as pessoas dependem dos “likes” para estar cada vez mais presentes nesse novo universo virtual. “Vivemos esta corrida e conexão por algo que ainda não sabemos o que é, como uma lacuna diária, cada vez mais viciosa”, conclui.


O que: espetáculo Distribuídos em rede – Caio Nunes Cia. de Dança
Quando: 07 a 10/02 – qui a sáb, às 20h | dom, às 19h
Onde: Teatro Cacilda Becker
Rua do Catete, 338 Largo do Machado | Rio de Janeiro-RJ
Quanto: R$ 30,00 (inteira)
Informações: (21) 2265-9933


O que: Oficinas de dança
Quando:
– 08/02, às 16h
Aula de Composição Coreográfica, com Fernando Bersot
– 09/02, às 16h
Aula de Dança Contemporânea, com Nayanne Cavalcante e Dandara Patroclo
Onde: Teatro Cacilda Becker
Rua do Catete, 338 Largo do Machado | Rio de Janeiro-RJ
Quanto: gratuito (sujeito a lotação)
* a inscrição deve ser realizada no local, 40 minutos antes do início de cada atividade.
Nível em dança dos alunos: Intermediário/avançado
Idade: a partir de 14 anos
Mais informações: danca@funarte.gov.br

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