Comportamento, Em pauta

Dancing Brasil e Dança dos Famosos: da TV a realidade do aprendizado da dança de salão

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Com a estreia nesta semana (26/09), da quarta edição do programa Dancing Brasil da TV Record, apresentado por Xuxa Meneguel, as danças a dois vivem um momento único de grande exposição na mídia nacional, uma vez que, paralelo ao programa da eterna rainha dos baixinhos, vem sendo apresentada também a 15ª edição do Dança dos Famosos, quadro de maior sucesso do programa Domingão do Faustão, na Rede Globo.

Ambos os programas despertam elogios e críticas dos amantes das danças de salão, e da dança de maneira geral, mas, polêmicas a parte, é inegável que eles são uma ótima oportunidade para o mercado da dança “se mostrar” aos brasileiros “não iniciados” no universo dançante. Porém, este mesmo público, que tem seu primeiro contato com a dança através destes programas, pode acabar criando uma expectativa errada no que diz respeito a realidade do aprendizado da dança de salão.

SE VOCÊ É UMA DESSAS PESSOAS QUE SE ANIMOU PARA FAZER AULAS DE DANÇA APÓS ASSISTIR UM DESTES PROGRAMAS DE TV, CONTINUE LENDO! A dança recebe todos de braços abertos e este não é um texto pra te jogar um ‘balde de água fria’, mas sim para aquecer suas expectativas com informações fundamentais nesta nova e mágica jornada que você irá iniciar!!

A REALIDADE

A alegria, superação e descobertas sobre o corpo e o movimento que observamos na evolução de cada participante destes programas, com certeza, não são privilégio dos alunos famosos e serão encontradas por qualquer pessoa que inicie aulas de dança, mas o processo de aprendizado nos programas é bem diferente da realidade das salas de aula de escolas de dança pelo Brasil.

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Aula de dança de salão na escola T&W, em Maceió-AL. | Foto: divulgação

“O prazer é real, é o mesmo que você vê na TV, mas só que lá eles estão decorando uma coreografia e não aprendendo a dançar aquele gênero específico de dança. Costumo comparar o aprendizado da dança de salão com o de um idioma diferente. Se você decora meia dúzia de frases em inglês, não significa que agora você sabe falar inglês. Você aprende a pedir comida, por exemplo, e resolve uma situação momentânea. Nestes programas, você decora determinadas sequências como frases de um idioma. Em uma escola de dança você irá aprender o idioma de cada gênero de dança para usá-lo da maneira que achar mais interessante, formando suas próprias frases”, explica o professor Wallisson Melquisedec, da escola T&W Dança de Salão, de Maceió-AL.

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Wallisson ressalta que nos programas de TV, a condução dos passos é ensinada dentro de uma coreografia, em um momento determinado. Já numa aula de dança convencional os alunos aprendem a condução e a resposta a ela em qualquer momento da dança. “Por isso gosto de comparar com idioma, porque a dança de salão é um diálogo estabelecido durante aquela música que o casal compartilha. A gente aprende a falar a linguagem do corpo para poder estabelecer esta comunicação sem palavras”, comenta ele.

QUAL O SEU PERFIL COMO ALUNO?

O professor alagoano relata que, em geral, costuma receber três perfis de alunos iniciantes:

  • Os que têm maior dificuldade de coordenação motora;
  • Os que têm uma dificuldade de coordenação comum a maioria dos iniciantes;
  • Alunos que já dançam há muito tempo com seu par, ou na balada, sem nunca ter feito aulas, e por isso trazem uma série de vícios em sua dança.

Em cada um destes perfis podemos somar uma conjunção de fatores individuais que, por isso mesmo, torna a trajetória de cada aluno única. “Por exemplo, a pessoa pode ter muita dificuldade motora, mas em contrapartida tem musicalidade, consegue perceber o tempo da música. Ou o contrário, não tem dificuldade motora, mas também não tem musicalidade”, explica o professor ressaltando que, em todos os casos, é apenas uma questão de desenvolver um trabalho personalizado para as dificuldades de cada aluno.

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EM QUANTO TEMPO VOU APRENDER?

Deixe para o Dancing Brasil e a Dança dos Famosos o conceito de aprender em uma semana uma coreografia complexa, cheia de giros e passos aéreos. “Se um iniciante na dança de salão chega com a expectativa de já fazer aéreo é impossível não se frustrar. É como dizer que alguém que não sabe nem nadar vai fazer um salto ornamental. Em ambos os casos é perigoso e a pessoa pode se machucar”, esclarece Wallisson.

A aula de dança de salão vai te ensinar muito mais do que uma coreografia para uma única música, vai te ensinar a dançar, e isto leva tempo. “A velocidade de aprendizado é algo totalmente individual, cada aluno tem seu tempo, mas em geral, após 4 a 5 aulas, o aluno já conseguirá se divertir em um baile ou prática dançante”, diz ele.

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DICA DE PROFESSOR

Como em toda nova atividade que nos propomos a fazer, a prática é fundamental para a evolução do aluno. Frequentar os bailes da sua escola ou outros locais e eventos voltados para danças a dois e, nestas ocasiões, sair de sua ‘zona de conforto’ procurando executar também os passos e movimentações que tem mais dificuldade, farão toda a diferença em sua evolução na dança. Para Wallisson um grande facilitador do aprendizado aos iniciantes na dança de salão é chegarem às aulas abertos ao novo, a descobrirem quais são suas dificuldades e quais são suas habilidades naturais, deixando que o professor o oriente neste trajeto de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. “Mesmo fazendo uma aula em grupo, com o mesmo professor, cada um terá o seu caminho de aprendizagem para chegar ao resultado final”, ressalta.


dancing-brasil_xuxa-e-leandroEntão, agora, é seguir acompanhando seu programa predileto de dança na TV, torcendo pelos alunos famosos e seus competentes professores, enquanto você mesmo pode fazer suas próprias descobertas em sala de aula.

Para escolher sua escola, acesse o Guia Dança em Pauta. Lá você encontra informações detalhadas sobre escolas de dança pelo Brasil. Se não achar indicação na sua região mande um email para guia@dancaempauta.com.br informando sua cidade e a modalidade que procura pra gente buscar incluir no Guia Dança em Pauta.

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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

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