Danças de Salão, Forró em Pauta

Dançando moda no forró

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Quem se preocupa mais com vaidade, homens ou mulheres? A fama diz que são as mulheres. A demora em sair de casa, a necessidade de experimentar 50 tipos de roupas e quase sempre voltar à primeira, se maquiar, arrumar os cabelos e depois desarrumar um pouco. Combinar sapato com as unhas, se olhar no espelho e fazer caras, testar olhares, ver se o contorno do corpo fica bem com o modelito escolhido, etc, etc, etc.

A dúvida entre as roupas ocorre independente de planejamento. Se a balada fosse marcada com alguma antecedência, já passaria pela cabeça delas durante boa parte do dia: “será que aquela regata preta básica que foi lavada, já secou?”, “por que eu fui usar ontem aquela saia que é tão boa para dançar?”, “e se eu tivesse uma sapatilha vermelha para combinar com este colar?”.

A preocupação existe até nas férias, pois além de se ocupar com a combinação da sandália com o biquíni ou a canga, existe o cuidado com a mudança de um biquíni por dia, para acabar com as marcas dele ou até levantá-lo para deixar a marca aparente quando for usar uma calça com cintura mais baixa. Tudo isso são provas cabais dessa preocupação.

Para ser bem justo não são todas assim, pois embora todas tenham isso no gene (tenho certeza que não é cultural, apesar de ser uma afirmação sem nenhum empirismo) algumas são bem práticas e objetivas. Mesmo que não sejam, nada a reclamar. “Beleza não põe mesa”, mas é uma delícia de se ver.

Na maioria das outras baladas essa preocupação e cuidado todo é ainda maior: “tubinho preto”, maquiagem em abundância e um monte de parafernálias que às vezes fica até difícil reconhecer as pessoas. E qualquer balada – eletrônica, rock, pop, etc – têm seus vestuários mais ou menos típicos. As tribos se reconhecem por esses quesitos e o forró também tem peculiaridades.

O que eu acho mais legal no forró é a simplicidade. Aqui o vestuário é simples, discreto, deixando espaço para cada um se mostrar como é: de cara limpa e sem adereços e adornos exagerados.

Rita Hayworth, famosa atriz americana da década de 40, disse certa vez que os homens dormiam com Gilda (sua principal personagem) e acordavam com a Rita. No forró as mulheres não terão nunca esse problema, tá todo mundo como é de verdade.

Chegou a hora de falar dos companheiros. A rapaziada que vive se vangloriando de ser desencanada e distante destas preocupações. Eles (nós) pensam que enganam quem? Ou alguém acha que é fácil deixar a cueca aparecendo exatamente daquela maneira da moda? Aliás, o cara se preocupa com qual e como ela aparecerá.

E as toucas e bonés? Falei em tribo e nada mais tribo do que os caras todos de bonés, tênis e bermuda. Nada contra, mas boné e touca dançando forró, tudo quente, a cabeça suando. Bom, cada um anda como quer.

Para as moças que não conhecem os meandros do banheiro masculino, saibam que vários rapazes passam longo tempo se arrumando, ornamentado os cabelos e às vezes molhando-os, procurando dar um aspecto diferente. Vocês acham que é fácil parecer desarrumado com estilo?

No final das contas, como em todas as baladas, as pessoas se arrumam. A grande diferença do forró está no despojamento, na simplicidade que deixa um espaço grande para o charme e a atitude de cada um aparecer independente da produção.

Aqui dançar vale mais que um vestido de grife ou um relógio rolex. Estar na moda da rua é menos importante que estar na moda do forró e, menos ainda, do que dançar gostoso e conversar “na boa” com as pessoas.

É só perceber, temos muito mais espaço de dança do que de convívio social. O forró é democrático até nisso, pois uma saia de uma loja popular de rua tem quase o mesmo apelo que uma da loja de marca famosa do shopping. Depende de como e quem usar.

Por isso esqueçam os saltos altos, roupas pesadas, camisas longas e adereços exagerados em geral, isso tudo atrapalha mais do que ajuda. Aquela menina ou rapaz que lhe interessa vai olhar mais para você e suas atitudes, sem esquecer que provavelmente você vai suar, mexer e remexer muito.

Lembre-se de vir com roupas leves, a roupa que te deixar mais à vontade: saias, vestidinhos, calças, camisetas, bermudas, regatas, baby looks, etc.

No mais, calce sua vontade de dançar, vista sua disposição de conhecer e fazer novos amigos e maquie seu melhor sorriso. Isto aqui é forró!

Fotos: Daniel Tortora 

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Empresário e produtor no meio cultural, envolvido com o forró desde 1991, proprietário do Canto da Ema, uma das principais casas de forró de São Paulo. Criador do Dia Nacional do Forró (13 de dezembro). É apresentador e produtor do programa “Vira e Mexe”, na Rádio USP 93,7 FM, direcionado ao ritmo nordestino. O cantor Dominguinhos era seu parceiro na apresentação do programa.

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