Colunas, Dança Afro

Dança Afro é para todos!

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Dança é movimento e expressão, uma linguagem.

Este conceito é muito claro para os profissionais da dança e, mesmo para iniciantes ou apreciadores desta arte, é notado logo no primeiro contato. Mas esta ideia, quando não compreendida em sua total amplitude, faz com que as pessoas acreditem que a dança é apenas para um grupo seleto, intimidando ou impedindo muitos de praticar e colher seus benefícios. Com a Dança Afro é igual. Muita vezes, o desconhecimento e o preconceito das pessoas são usados como fatores impeditivos à pratica. Em alguns casos acredita-se que ela é apenas para quem domina a técnica.

Certa vez, convidei um coreógrafo, com currículo internacional, para ministrar aulas em minha escola de dança. Na época, ele fazia muitos vídeos musicais para a TV. Sendo ele dos EUA e com experiência em muitas linguagens, pedimos que trabalhasse conosco danças contemporâneas voltadas ao perfil de um bailarino profissional de categoria internacional, e então o desafio começou. Durante as aulas, o que me chamou atenção foi quando um aluno que estava com dificuldade em determinado movimento perguntou o que ele poderia fazer para aprimorar sua performance e o professor respondeu na lata:

“Vocês precisam fazer dança Afro! Ela é a base de tudo”.

Eu adorei ouvir isso e sempre vou lembrar deste dia!

A Dança Afro é movimento, gesto, expressão e conhecimento ancestral, e esta forma de comunicação e/ou linguagem se traduz para o entendimento de todos os povos. Ela está presente no nosso dia a dia. Ela faz parte da nossa essência humana e seus movimentos nos colocam mais próximos a nós mesmos, nossa ancestralidade e a natureza, que no fundo, acredito ser uma coisa só.

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Neste artigo vamos dar continuidade a nossa conversa sobre a importância e a influência da dança e da cultura Afro em nossas vidas. Vamos também falar sobre alguns tópicos da estrutura técnica desta dança a qual desenvolvi através de anos de estudos e práticas, em que pude vivenciar a dança e a percussão com professores de várias regiões Africanas e do Brasil. Vou compartilhar com vocês a minha leitura, ou seja, o que acredito que faz parte da essência do movimento Afro. Percebo que estas características fazem parte de uma linguagem universal se tratando desta dança e que, em qualquer lugar do mundo, se soubermos estes princípios básicos apresentados e presentes no corpo, é possível dançar Afro, independente das características específicas de cada região do continente Africano. Existem características presentes nesta linguagem que se comunicam universalmente e é sobre isso que vamos falar, pois este trabalho eu realizo há alguns anos em processos de aprimoramento e capacitação em escolas com professores e vou compartilhar com vocês.

A influência da cultura negra é facilmente percebida em nosso país. Não se limita à dança e a música. Exemplo: o vocábulo “BANANA” – é o mais popular dos vocábulos africanos no Brasil e refere-se a uma fruta consumida diariamente por grande parte da população, uma das preferidas do brasileiro. “ABACAXI”, também é vocábulo de procedência africana. Outro exemplo é o “CAFUNÉ”, o qual reafirma mais uma presença africana no Brasil, não só vivo no uso, mas também fixado no folclore. Do tronco linguístico “BANTO”, encontramos palavras derivadas tais como: mochila, farofa, neném, carimbó, xodó, entre outras.

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O berço da humanidade é a “ÁFRICA”. O espírito da Cultura Africana está em todo o mundo e influencia, até hoje, em todo o planeta, as mais variadas formas de arte: dança, música, moda, artes plásticas, literatura, arquitetura, ciência e filosofia. Hoje, encontramos no mundo grandes dançarinos, companhias contemporâneas de dança e profissionais que fazem da cultura e história africana obrigatórios em seus estudos e formação.

Portanto, a DANÇA AFRO e AFRO-BRASILEIRA conta esta história através de suas danças, gestos, ritmos, músicas, vestimentas, instrumentos, além da gastronomia, valores morais e éticos, conexão com a natureza e a ancestralidade. Esses são alguns pontos para exemplificar a importância e a grandeza desta cultura muito difundida através da dança e da oralidade!!! A relação passado-presente-futuro funde-se no movimento e no sentimento expresso.

Vamos agora aos tópicos da primeira parte da metodologia:

  1. “BASE POSITION” (posição de base): posição da cadeirinha. Este nome é uma brincadeira e uma analogia a ideia de você estar sentado em uma cadeira, mas sem a cadeira abaixo de você. É parecida com a posição de base de algumas artes marciais, como o Sumo. Trabalha-se quase todo o tempo assim. As pernas afastadas, pouca coisa além da largura do quadril com os pés paralelos e os joelhos semiflexionados. A “Base position” é premissa para a realização da estrutura de movimentos da dança. É a posição de Base.
  2. “SWING” (molejo): A marcação rítmica é sempre para baixo e/ou para o chão, como se houvessem “molas” nos joelhos. A conexão com a energia terrena se faz também por este movimento e por estar com os pés descalços. É a baiana descendo as ladeiras de Salvador.
    Obs.: hoje com o afastamento do contato com a natureza, notamos que as crianças e muitos adultos não se relacionam de maneira fluida com tipos de solos diferentes, como terra e grama. Elas não ficam descalças. Pequenas mudanças climáticas e de temperatura bastam para fragilizar seu sistema imunológico. O homem moderno possui, muitas vezes, uma relação desarmoniosa com a natureza. Exemplos: o sol está muito quente, a água está muito gelada, pânico de insetos. Se olharmos para a essência da dança afro, podemos dizer que ela é uma ferramenta poderosa para despertar através do corpo e do movimento uma consciência sobre a importância da natureza para a nossa existência, gerando ações mais sustentáveis para o futuro.
  3. “INTENSE HIP” (intensa movimentação pélvica): Movimentação intensa do quadril. O trabalho pélvico é amplo e deve ser desenvolvida uma consciência voltada à quebra de tabus e paradigmas. O funcionamento fisiológico dos órgãos internos também é beneficiado. Além disso, existem estudos que comprovam a influência destes desbloqueios através da movimentação pélvica, não só no corpo físico do indivíduo, mas também no mental e no corpo emocional, podendo até mesmo liberar bloqueios ocasionados por traumas no passado ou na infância.
    Obs.: Outro estudo que apresentaremos em breve será a relação destes movimentos (não só os do quadril) com os centros de energia corporal, traçando um paralelo da milenar cultura oriental com a Dança Afro.
  4. “HEAD MOVEMENTS” (movimentos da cabeça): A movimentação da cabeça é constante, além da expressão facial marcante. Ela participa de muitos movimentos principalmente nas danças dos Orixás. A cabeça também acaba sendo consequência das movimentações do tronco.
  5. “TRUNK WAVES” (ondulação do tronco): Ondulações e movimentos de tronco e ombros são muito usados. Podemos realizá-los separadamente ou não, ou seja, de maneira segmentada ou global durante a dança.
  6. “UPPER LIMBS” (membros superiores): Os movimentos dos membros superiores são bastante significativos e falam da natureza, das lendas e histórias de cada região de maneira muito expressiva, através da expressividade dos braços e mãos. Aqui a cabeça e a expressão facial juntam-se para completar e ampliar a simbologia e expressão dos movimentos.
  7. “JUMPS and WALKS” (saltos e caminhadas): Muito deslocamento, saltos e giros. Na dança, o corpo executa muitos movimentos durante as caminhadas e deslocamentos onde os saltos e pulos acontecem antes, durante ou depois dos deslocamentos.
  8. “ENERGY” (energia): Tensão nas extremidades do corpo onde o fluxo predominante de energia – o Axé – deve ser de dentro para fora. Os movimentos podem ser globais e com explosão. Existe intenção nas mãos e nos pés e a energia vem de dentro para fora como uma onda vibratória rápida e intensa.
  9. “CIRCLES” (círculos): muitos movimentos e deslocamentos são realizados em círculos. Eles possuem uma simbologia de continuidade, ciclos, conexão e união. Movimentos em círculos estão presentes nas culturas africanas, indígenas, e outras culturas milenares.
  10. “FLOOR” (solo): existem muitos movimentos que são realizados no solo-chão. Alguns deles representam movimentos de caçadas e/ou caçadores, animais e simbologias de elementos da natureza.

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Em próximos artigos daremos sequência a nomenclatura da dança Afro dentro desta metodologia proposta e apresentada a vocês queridos leitores.

Ficou curioso em conhecer estes movimentos citados? Então venha dançar Afro!! Até breve. AXÉ!!!

Compartilhe sua opinião, dúvida ou comentário sobre este artigo abaixo, ou, se preferir, entre em contato com a autora pelo email andreasoares@dancaempauta.com.br

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Fundadora e Diretora da Companhia de Dança TRIBAH (Tributo e Resgate da Identidade Brasileira e Afro com Honra) é coreógrafa há mais de 25 anos, com experiência internacional em países como EUA, México, Chile, Perú, Argentina e Europa. Professora universitária de graduação e pós-graduação nas disciplinas de Dança Afro e Corporeidade, trabalha com consultoria e capacitação de professores na lei 10.639/03, tendo vasta experiência como empreendedora em escolas, academias e na TV. Possui reconhecimento público na Assembleia Legislativa do Paraná pelo Consulado do Senegal no Brasil.

3 Comments

      1. OI ELIZABETH !! JÁ ESTAMOS COM UMA PAGINA ABERTA NO FACEBOOK SOBRE O EVENTO ( AFRO ARTE ) E LÁ JÁ TEMOS ALGUMAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES.
        VAMOS NOS CONECTAR TBM PELO MEU FACE – ANDRÉA SOARES OU NO CEL 41-99915555
        ESTOU A DISPOSIÇÃO PARA QUAISQUER DÚVIDAS.
        OBRIGADA PELO SEU CONTATO.
        ABS
        AXE!!
        …e para quem é de Ctba amanhã estarei ministrando uma aula aberta de Dança Afro na academia Saver da Praça do Japão – bairro Batel ás 14h00. Estão mega convidados…

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