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Dama do movimento corporal, Angel Vianna abre as Ocupações no Itaú Cultural em 2018

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Nesta quarta (28/02), a partir das 20h, a 38ª mostra da série Ocupação, do Itaú Cultural, na capital paulista, abre a temporada 2018 com uma homenagem a educadora, coreógrafa e bailarina Angel Vianna. Sua obra e trajetória de vida são construídas na mostra entre tules que recebem projeções de coreografias, entrevistas gravadas com depoimentos, muita leveza, vídeos, fotos, documentos, manuscritos e jornais. A Ocupação Angel Vianna segue em cartaz até 29 de abril. A curadoria é compartilhada pela equipe do Itaú Cultural, formada pelos núcleos de Cênicas e de Educação, ao lado da bailarina e coreógrafa Ana Vitória.

Pesquisadora do movimento, bailarina e coreógrafa, Angel mobiliza o universo da dança brasileira desde 1940, sempre investindo, em paralelo, na formação e na construção de consciência crítica e reflexiva sobre a área. Produz, cria e ensina dança desde 1948 e, ao lado do marido, Klauss Vianna (1928-1992), é uma das pioneiras da dança contemporânea no Brasil. Perto de completar 90 anos, em junho, Angel Vianna segue ativa e antenada com o mundo.

Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, filha de libaneses, Angel iniciou as suas atividades na dança aos 12 anos e nunca mais parou. Rompeu com as convenções conservadoras da família e casou com Klauss, companheiro de trabalho e vida que conheceu em 1943, no Colégio Padre Machado. Com ele, replicou o movimento da Dança-terapia e Expressão Corporal no Brasil e se instalou no Rio de Janeiro, há mais de meio século, onde vive até hoje.

Angel e Klauss Vianna nos bastidores do espetáculo 'Hoje é Dia de Rock' | Foto: Acervo Angel Vianna
Angel e Klauss Vianna nos bastidores do espetáculo ‘Hoje é Dia de Rock’ | Foto: Acervo Angel Vianna

Bem antes, em 1955, montou sua primeira escola de dança, em Belo Horizonte, na casa em que foi morar com o marido. Em 1959, o casal fundou o Ballet Klauss Vianna, consequência do sucesso que foi a escola. Em 1975, os dois inauguraram o Centro de Pesquisa Corporal Arte e Educação, embrião da Escola Angel Vianna que se confirmaria anos depois, em 1983, no Rio de Janeiro.

Angel é reconhecida em seu trajeto na dança por seu olhar sensível às singularidades dos corpos. Realizou profunda investigação voltada ao corpo e ao movimento. Com propostas corporais centradas na autonomia e nas experiências pessoais de cada indivíduo, seu trabalho se estendeu aos campos artístico, pedagógico e terapêutico, ajudando na reabilitação de pessoas com deficiências. A partir dessa filosofia, ela inovou com trabalhos coreográficos por meio das companhias que criou: Ballet Klauss Vianna, Grupo Trans-forma, Teatro do Movimento, Profissionais Liberados e Geração Complemento, em parceria com Frederico Morais e outros. Tudo isso, ela fundamenta sobre a ideia de que todo ser humano é criador e de que as particularidades individuais são a essência dessa criação.

A Ocupação

Pela primeira vez, o nome da Ocupação na entrada do espaço expositivo está colocado na vertical. Há uma razão para isso, que dialoga com o que o visitante encontrará lá dentro: a proposta é força-lo a inclinar o pescoço deslocando-o do movimento do lugar comum.

Angel Vianna em Odalisca. Belo Horizonte, 1950. | Foto: Acervo Angel Vianna
Angel Vianna em Odalisca. Belo Horizonte, 1950. | Foto: Acervo Angel Vianna

Entra-se nesse espaço ambientado em uma paleta de cores vermelhas e pretas, por uma porta dupla de madeira para chegar a imagens do acervo de Angel, com registros do Ballet Carlos Leite, Ballet Klauss Vianna, Teatro do Movimento e espetáculos dela. Ao lado, se encontram trabalhos como o pé de bailarina e a cabeça – duas esculturas feitas por ela -, além de desenhos seus. Há, ainda, uma parte destinada à Escola Angel Vianna, com fotografias e vídeo do lugar.

Na sequência, uma grande foto de Angel abre caminho para a exposição de cadernos originais com marcação de aulas da década de 70 e fac-símiles para manuseio. O percurso segue com uma projeção de Aula do Papel. Dispositivos criados para esta exposição – uma espécie de monóculo-caleidoscópio – presos na parede mostram vídeos da bailarina dançando em espetáculos da década de 1990 e aos anos 2000.

Um espaço dedicado à família, traz imagens dos pais, de sua infância e juventude e dela com Klauss e o filho Rainner, além de depoimentos de sua nora Neide, da neta Tainá e uma entrevista em que o filho fala de sua mãe. A exposição também revela a referência bibliográfica que foi importante para a trajetória da artista, biografias sobre ela e a obra A Dança, importante livro de referência para as artes cênicas, cuja primeira edição foi escrita nos anos de 1990 por Klaus Vianna – os dois últimos capítulos estão disponíveis em braile e com a fonte ampliada, uma das diversas ferramentas de acessibilidade que norteiam esta exposição.

As paredes, revestidas em tule para que o visitante tenha a liberdade de percorrer o espaço expositivo sem seguir um curso pré-estabelecido, rodeiam um núcleo central que exibe conteúdos em audiovisual: uma mescla de registros de alongamentos de Angel no ensaio do espetáculo Ferida Sábia e de um conjunto de diversas danças da artista, conteúdos de seu acervo e trechos de documentário. Neste espaço, encontram-se bancos que propõem uma movimentação do corpo, com a proposta de incentivar uma percepção diferenciada de posturas e movimentos. No teto, espelhos de diferentes tamanhos remetem a uma visão de diversas partes do corpo, chamando a atenção para eles. Nas paredes de tecido estão projetados vídeos de Angel dançando, ensaiando, se alongando.

Programação em sinergia e acessibilidade

Além de uma publicação preparada especialmente para esta Ocupação, a equipe do Itaú Cultural programou atividades de dança que dialogam sinergicamente com a mostra. Nos dias 1 e 2, às 20h, na sala Multiuso do instituto, é apresentada a instalação performática Ferida Sábia, com direção e coreografia de Ana Vitória, que também atua ao lado de Angel Vianna, Priscilla Teixeira, Renata Costa e Soraya Bastos. Com direção e dramaturgia do ítalo argentino Norberto Presta, no sábado e domingo – dia 3, às 20h, e 4, às 19h – Angel executa o solo Amanhã é Outro Dia no palco da sala Itaú Cultural. De 5 a 8 de abril, ela se apresenta em O Tempo Não Dá Tempo, que estreou no Rio de Janeiro no início do ano e agora chega inédita para o público de São Paulo. Os textos são de Gregório Duvivier, Gonçalo M. Tavares, Oscar Saraiva e a direção de Duda Maia.

Angel em cena do espetáculo solo Amanhã é Outro Dia | Foto: Guilherme Castoldi
Angel em cena do espetáculo solo ‘Amanhã é Outro Dia’ | Foto: Guilherme Castoldi

Esta mostra também conta com ferramentas de acessibilidade como paisagem sonora, videoguias produzidos em Libras e legendados em português, para atenderem aos públicos ouvintes e surdos. Para os cegos, o instituto segue oferecendo audiodescrição, mapa tátil e piso podotátil. Os textos têm versão em braile e estão ampliados para pessoas cegas e com baixa visão.

Ocupação Angel Vianna integra o rol de atividades do Itaú Cultural que visam valorizar a dança brasileira. Já foram homenageados pelo programa Ocupação artistas e coletivos do setor como Grupo Corpo, Ballet Stagium e o casal Maria e Herbert Duschenes.


O que: Ocupação Angel Vianna
Quando: 28/02 a 29/04
Visitação: De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h.
Sábados, domingos e feriados das 11h às 20h.
Onde: Itaú Cultural
Onde: Av. Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô | São Paulo-SP
Informações: (11) 2168-1776 | www.itaucultural.org.br/ocupacao

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