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Cultura dançante da Bahia para o sul do país

No dia 16 de agosto, o premiado Balé Folclórico da Bahia (BFB), única companhia profissional de dança folclórica do país em atividade, inicia sua turnê inédita pelo sul do país levando seu espetáculo “Herança Sagrada – A Corte de Oxalá” para Porto Alegre, às 20h, no Teatro do SESI.

A turnê conta com o patrocínio de “O Boticário na Dança”, e inclui as cidades de Novo Hamburgo-RS (18/08), no Teatro FEEVALE, e Curitiba-PR (20/08), no Teatro Positivo. Na volta a Salvador, o Balé encerra a temporada com uma apresentação no Teatro Castro Alves (TCA), no dia 4 de setembro.

Em “Herança Sagrada”, os bailarinos reproduzem com fidelidade sequências de movimentos de alguns dos mais importantes rituais do Candomblé, numa coreografia baseada em danças do culto afro-brasileiro. O espetáculo, que já foi aplaudido nos Estados Unidos, Europa, Caribe, Oceania e África, conta com direção geral de Walson (Vavá) Botelho e direção artística de José Carlos Santos (Zebrinha).

No palco, 26 bailarinos, músicos e cantores apresentam movimentos vibrantes e sonoridade arrebatadora. A segunda parte do espetáculo reúne coreografias clássicas do repertório do Balé, que traduzem as mais importantes manifestações folclóricas baianas, em “Puxada de Rede”, “Capoeira” e “Samba de Roda”, além de “Afixirê”, coreografia inspirada na influência dos escravos africanos na cultura brasileira.

Da Bahia para o mundo

Em maio, o Balé Folclórico da Bahia foi a companhia convidada especial do Dance África, em Nova York, onde fez apresentações do espetáculo “Herança Sagrada” durante dez dias, sempre com a casa cheia. A repercussão e o sucesso do grupo renderam destaque em matéria de página inteira no The New York Times. O festival, que acontece há 38 anos no BAM (Brooklyn Academy of Music), é um dos principais eventos de dança africana e cultura negra dos EUA. O Balé foi homenageado por todos os grupos de dança participantes, que subiram ao palco e fizeram junto com a companhia a coreografia Afixirê (que em Yorubá significa “festa da felicidade”), uma das principais do Balé Folclórico.

“O espetáculo já é consagrado internacionalmente, agora precisa ser conhecido pelos brasileiros. Somos, provavelmente, um dos maiores embaixadores da cultura popular brasileira para o mundo inteiro e temos divulgado a Bahia em todo planeta”, afirma Vavá Botelho, fundador e diretor geral do Balé Folclórico da Bahia. A companhia, aclamada mundialmente, já se apresentou em 24 países. “Manter uma equipe que se dedica à dança em regime integral, com intenso preparo técnico, físico e muita pesquisa, é uma luta diária. Poucas companhias de dança privadas sem patrocinador regular conseguem existir por tanto tempo, mantendo um nível de excelência técnica tão elevado e respeito do público e da crítica”, afirma Vavá.

O Balé arrebatou a admiração da poderosa Anna Kisselgoff, crítica de dança do The New York Times. “O prazer dos dançarinos, músicos e cantoras em fazer o que eles fazem sobre o palco é tão obviamente parte da vida deles que contagia todo o teatro”, escreveu Kisselgoff. “Eu já assisti seus maravilhosos bailarinos em diferentes países, sempre se comunicando com o público. Crianças e adultos são tomados de imediato pelos ritmos e encantos de sua arte”, declarou a jornalista numa das suas criticas para o jornal norte-americano.

Reconhecida pela Associação Mundial de Críticos como a melhor companhia de dança folclórica do mundo, o Balé Folclórico da Bahia já formou mais de 700 bailarinos. A maioria deles de origem muito simples, que aprenderam os primeiros passos de dança no Balé e hoje brilham em grandes companhias internacionais do mundo. “Além do trabalho artístico, temos uma função social”, destaca Vavá Botelho.

A história do grupo

O premiado Balé Folclórico da Bahia completa 27 anos em agosto de 2015 e já se apresentou em mais de duzentas cidades e 24 países, incluindo Estados Unidos, Itália, Inglaterra, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Nova Zelândia, Austrália, Alemanha, França, Holanda, Suíça, México, Chile, Colômbia, Finlândia, Suécia e África do Sul, entre outros.

Com sede no Pelourinho, em Salvador, atualmente, o BFB funciona em regime integral de seis horas de trabalho por dia. Os 40 integrantes da companhia – dançarinos, músicos e cantores – recebem preparação técnica para dança, música, capoeira, canto e teatro. Para preservar e divulgar as principais manifestações folclóricas da Bahia, o Balé desenvolveu uma linguagem cênica que parte dos aspectos populares e atinge questões contemporâneas. O Balé também possui um segundo corpo de baile, que realiza espetáculos, diariamente, no Teatro Miguel Santana, no Pelourinho, tendo como público, principalmente, turistas estrangeiros e de outros estados do Brasil, há 20 anos.

Além do reconhecimento do público e da crítica especializada, o Balé coleciona inúmeros prêmios e conquistas importantes. Em novembro de 2013, durante sua 12ª turnê pela América do Norte, o Balé Folclórico da Bahia (BFB) foi homenageado em Atlanta, capital da Geórgia (EUA). A prefeitura de Atlanta declarou o dia 1º de novembro como o Dia do Balé Folclórico da Bahia no calendário oficial da cidade. Em dezembro do mesmo ano, a companhia ganhou nome de rua na cidade de Aného, no sudeste do Togo, perto da fronteira com o Benim, durante curta temporada na África.

A companhia já foi capa do The Village Voice, uma das mais importantes publicações culturais em Nova York. Ganhou inúmeras matérias de página inteira no The New York Times e foi notícia de destaque em vários outros jornais do mundo. Na turnê norte-americana, realizada em 2011, o jornal “The New York Times” publicou em duas páginas a manchete: “Jornadas Fantásticas – Quando o Balé Folclórico da Bahia aporta em Nova York é tempo de festa”.

Em 1994, a Associação Mundial de Críticos reconheceu o BFB como a melhor companhia de dança folclórica do mundo. Ao longo dos seus 25 anos, o Balé conquistou vários prêmios e reconhecimento.

Desde 1993, sob a direção artística de José Carlos Arandiba (Zebrinha), a companhia atingiu um nível de aprimoramento técnico-interpretativo, que despertou a atenção dos mais exigentes profissionais e críticos da área de dança. A Bahia, celeiro das manifestações populares no país, tem sido a maior inspiração para as pesquisas do Balé, que através da dança, música e de outras expressões que compõem o espetáculo consegue legitimar o folclore baiano em suas coreografias. “O nosso grande objetivo é a educação. Meu principio é que cada pessoa faz seu caminho. No Balé, há pessoas de todas as faixas etárias e de todas as classes sociais. A partir do momento que alguém entra por nossa porta, deixa fora um monte de estigma”, afirma o diretor artístico.

Fotos: Andrew Eccles, Vinícius Lima e divulgação

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