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Conheça seus pés e descubra a Sapatilha de Ponta ideal para você!

Cada vez que pisamos, nossos amortecedores do pé suportam uma força três vezes maior que o nosso peso corporal, somando milhões de quilos por semana. No caso dos dançarinos, os pés tem um papel ainda mais incrível, suportando o peso de piruetas e aterrissagens de saltos.

Para uma bailarina utilizando sapatilhas de ponta, que pese entre 43 a 45 kg, a pressão nos dedos dos pés após um salto é de cerca de 110 kg. Já a performance de uma primeira bailarina em um espetáculo equivale a 11 km de corrida.

“O pé vai refletir em tudo que está acima dele. Por exemplo, é preciso ficar atento quando na aula de balé a criança faz a posição ‘en dehors’ e o pé vira pra dentro, pois o joelho também vai rodar pra dentro, o quadril vai rodar e ela pode desenvolver uma lordose”, explica o bailarino e fisioterapeuta José Luiz Bastos Melo, especializado em Dança e Consciência Corporal. Ele destaca que estudos relatam que um desvio no pé para dentro (o chamado pé chato) ou para fora (arco bem acentuado e curvo) correspondem a 80% das alterações na região sacroilíaca (área da lombar e nádegas).

Consultor da Só Dança, há 14 anos José Luiz trabalha no desenvolvimento dos calçados da marca, maior fabricante de produtos de dança no Brasil e que exporta também para outros 50 países. Em entrevista ao Dança em Pauta, ele falou sobre os principais pontos a serem observados na hora de comprar uma sapatilha de ponta e os cuidados que as bailarinas devem ter com seus pés.

Uma coisa é certa: escolher a sapatilha de ponta ideal é uma ciência com muitas variantes!

A ANATOMIA DA SAPATILHA

Primeiramente, é importante entender cada uma das partes que formam uma sapatilha de ponta. A ilustração abaixo mostra a “anatomia” de uma sapatilha de ponta Só Dança.

A Só Dança possui diversos modelos de sapatilha de ponta, nos tamanhos 33 ao 42, cada uma com suas variantes de largura que influem diretamente nas medidas de Box (3), Gáspea (4), Asas Laterais (6) e Calcanhar (7), além da resistência da Palmilha (9), que pode ir desde a mais macia a super-reforçada. Tudo isso para atender adequadamente as necessidades individuais de cada bailarina. Porém, por ser muito oneroso para os revendedores manter em estoque sapatilhas de todos os formatos, normalmente, encontramos nas lojas os modelos com mais saída. Entretanto, se o modelo que você provou não se adequou ao seu pé, o lojista pode encomendar junto a fábrica da Só Dança uma sapatilha com as medidas personalizadas para você.

Uma ótima opção para descobrir com precisão a sapatilha de ponta ideal é ficar atenta aos eventos em que a Só Dança participa, pois muitos contam com a presença do fisioterapeuta José Luiz fazendo o chamado fitting, que é a prova da sapatilha, para descobrir as medidas e características ideais para os seus pés. “Um calçado personalizado faz muita diferença. A calçabilidade chegou a um ponto que não importa o pé que você tenha, a gente consegue ajustar”, comenta ele.

O MITO DOS PÉS FEIOS DA BAILARINA

Se esteticamente não houve grandes alterações nas sapatilhas de ponta, uma vez que a intenção de sua aparência sempre foi dar a sensação visual de alongar as pernas, os estudos anatômicos e a utilização de materiais modernos em sua confecção trouxeram grandes inovações em sua estrutura para beneficiar a performance e a saúde das bailarinas. Isto porque, muitas das dificuldades em executar determinados movimentos podem estar relacionadas ao uso de uma sapatilha inadequada, que pode, inclusive, acarretar lesões.

Neste sentido, o conceito de que bailarinas terão os pés machucados e deformados pela prática da dança, segundo o fisioterapeuta, é coisa do passado, ou indício de que algo está errado. “Hoje em dia, ninguém precisa ter o pé deformado pra ser uma bailarina. É claro que é difícil e que a ponta incomoda um pouco, mas fazer calos e sangrar não é normal, a ponta não é um objeto de tortura. A calçabilidade é uma questão do ajuste da sapatilha”, explica.

RESPEITANDO O FORMATO DOS SEUS PÉS

Saber identificar e respeitar o formato do seu pé é o primeiro passo para a escolha da sapatilha. O fisioterapeuta explica que os pés podem ser categorizados em três grupos distintos, como mostra a ilustração abaixo, segundo a terminação dos dedos: Grego (A), Egípcio (B) ou Polinésio (C).

O traço preto acima dos dedos faz referência ao apoio que o Box dará aos dedos. Ao examinarmos o pé, devemos fazer uma compressão, com a mão, em suas bordas laterais, a fim de ter uma ideia de como ele vai ficar quando sofrer a compressão do Box, e assim identificar melhor o formato do pé. Para cada formato existe um modelo de sapatilha.

Na imagem, é possível observar como os dedos ficarão dentro do Box da sapatilha, de acordo com o formato de cada pé.

PEITO DO PÉ X PALMILHA

“A regra aqui é: quanto mais peito de pé, mais dura a palmilha; quanto menos peito de pé, mais macia a palmilha”, afirma o fisioterapeuta. Mas a força do pé também deve ser levada em conta e, em geral, alunas iniciantes, devem utilizar palmilhas macias, para desenvolver esta força nos pés.

É importante considerar as variantes relacionadas ao eixo de apoio, como mostra a figura abaixo:

  1. Pouco peito de pé: impede que a bailarina tenha um bom alinhamento e equilíbrio na ponta. Neste caso, usar uma palmilha macia, que não seja uma resistência para subir na ponta.
  2. Eixo ideal: centro do tornozelo alinha-se em linha reta com os dedos. Nesta situação podemos escolher a sapatilha segundo a força do pé, ou o nível técnico da bailarina.
  3. Muito peito de pé: vai além do eixo ideal. Dar preferência para palmilhas mais duras, a fim de segurar o pé e evitar que os dedos saiam do Box ao subir rapidamente.

A SAPATILHA IDEAL NÃO PRECISARÁ SER QUEBRADA

José Luiz comenta que a prática, muito disseminada em vídeos de tutoriais na internet, de quebrar a palmilha e fazer outros ajustes para usar uma sapatilha nova, não é necessária: “Basta que a bailarina compre a sapatilha mais apropriada”.

Ele ressalta que, diferente de bailarinas profissionais, que não têm tempo de amaciar uma sapatilha nova até a apresentação, as bailarinas iniciantes e intermediárias devem buscar a sapatilha com melhor calçabilidade para o seu pé: “A sapatilha deve ser moldada no pé com o uso, ou a sola pode ser levemente amassada na altura da curvatura do peito do pé. Isto garantirá, também, maior durabilidade”.

USE PONTEIRAS

Para o fisioterapeuta o uso de ponteiras é muito importante no cuidado com a saúde dos pés: “Usar sapatilha sem ponteira seria como utilizar um sapato de couro sem meia. Com o tempo ele atrita. Qualquer calçado usado com a frequência que você usará a ponta precisa de uma proteção da pele. Por mais que a sapatilha esteja justa, você vai subir e descer da ponta milhões de vezes, então vai esfolar a pele”.

Opções de ponteiras Só Dança: a primeira em helanca e as outras duas em silicone.

Para as bailarinas iniciando o trabalho em pontas, ele aconselha o uso das ponteiras de helanca, para sentirem mais o chão, o esforço para subir nas pontas e, desta forma, acostumarem os dedos dos pés. Quando já estiverem mais seguras, podem passar para as ponteiras de silicone.

BUSQUE ORIENTAÇÃO DE SEU PROFESSOR(A)

Seu professor(a) terá um importante papel na hora de escolher sua primeira sapatilha de ponta. Além de ter experiência prática no uso deste calçado, ele(a) conhece as características individuais das alunas, observadas no desenvolvimento das aulas, e poderá orientar corretamente na escolha da tão sonhada sapatilha de ponta!

Fotos: Só Dança e Banco de Imagens
Ilustrações: José Luiz Bastos Melo

Para informações de contato com a Só Dança acesse a seção “Lojas e artigos” no Guia Dança em Pauta.

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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

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