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Como escolher minha escola ou meu professor de dança?

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Para quem já faz aulas de dança há muito tempo, a pergunta título desta matéria pode até parecer óbvia, mas recebemos frequentemente mensagens de leitores pedindo indicações de escolas e/ou professores de dança. Na grande maioria, estas pessoas são adultos buscando a dança como uma atividade física, ou pais querendo matricular os filhos em um curso de dança.

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Estas perguntas, feitas por iniciantes, são extremamente pertinentes, pois, embora a dança traga inúmeros benefícios físicos e psicológicos – comprovados pela ciência e confirmados pelos praticantes – como em outras atividades físicas, na dança a ferramenta de trabalho é o seu corpo, o que requer conhecimentos e cuidados específicos.

Conversamos com alguns profissionais e enumeramos seis fatores a serem observados na hora de procurar uma escola ou professor. Com estas dicas em mente, depois é só dar uma conferida no Guia Dança em Pauta, onde indicamos Escolas de Dança em diferentes estados e cidades do país. Se não encontrar a escola ou gênero de dança que procura em sua cidade, deixe um comentário ao final da matéria ou envie email para guia@dancaempauta.com.br informando sua cidade. Estamos reunindo escolas, profissionais e demais produtos e serviços relacionados a dança no Guia Dança em Pauta para facilitar sua busca.

6 fatores relevantes na hora de escolher sua escola de dança:

1. Formação dos profissionais:

bailarina_livrosTodos os profissionais com que conversamos foram unânimes em afirmar que a primeira coisa a ser observada na hora de escolher sua escola é a formação dos professores. Verifique o currículo dos profissionais na internet e se tiver dúvidas não hesite em perguntar ao professor. Para a médica e bailarina Izabela Gavioli, que assina a coluna Dança & Saúde aqui no Dança em Pauta, o profissional deve, preferencialmente, ter curso universitário em Dança ou Educação Física, no segundo caso, tendo estudado dança em outros cursos. Ela ressalta que, atualmente, existe uma variedade de cursos de graduação, pós-graduação e especialização que habilitam o profissional a trabalhar com dança, além de workshops que podem mantê-lo sempre atualizado sobre a área. “O professor de dança não é oficialmente responsável por prescrever um tratamento ou exercício, este é o papel do educador físico ou do fisioterapeuta. Ele está ali para ensinar dança, não para ser um terapeuta, mas é importante que ele tenha noção do funcionamento do corpo, pois do contrário, ao invés de trazer benefícios, ele pode acabar prejudicando o aluno”, ressalta a médica.

Resumindo, assim como, por motivos óbvios, queremos ser atendidos por um médico habilitado, devemos buscar professores com formação adequada para nos ensinar dança.

2. Espaço físico:

Seu corpo também vai agradecer se você procurar uma escola que ofereça espaço adequado para suas aulas de dança. Ambiente bem ventilado e iluminado; um bebedouro ou filtro com água próximo da sala de aula; barras de balé com altura correta; piso adequado a prática (por exemplo, que absorva o impacto no caso do balé, ou que deslize no caso da dança de salão); são alguns itens importantes em uma escola de dança ressaltados pela arquiteta Gislaine Baretta. Sócia da escola Danza Mais, em Curitiba, ela uniu seu conhecimento em arquitetura a sua paixão pela dança no projeto da escola, criando um espaço não apenas apropriado para a prática de diferentes modalidades de dança, mas também aconchegante. A escola oferece ainda o espaço kids, uma sala com jogos e brinquedos onde as mães podem deixar seus filhos enquanto fazem aula.

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Espaço físico da escola Danza Mais, com projeto arquitetônico pensado para as aulas de dança.

“É importante que as salas ofereçam a ergonomia correta para as aulas, mas devemos pensar no bem-estar do aluno também fora da sala de aula, assim como dos pais que, muitas vezes, ficam aguardando os filhos, ou o inverso. Na Danza Mais a recepção tem uma sala de espera aconchegante e nas mesinhas do café você pode fazer seu lanche, bater papo, ler, usar a internet. Procuramos dar um ar de casa ao espaço, para que as pessoas sintam-se a vontade aqui”, comenta Gislaine.

3. Didática para trabalhar com faixas etárias específicas:

Embora a dança seja uma atividade democrática e possível para crianças, adultos e idosos, grupos de diferentes faixas etárias requerem uma didática diferente por parte do professor. Observe se a escola já possui em sua grade turmas específicas para sua faixa etária, ou converse com o professor sobre o assunto. Aqui novamente a formação do profissional é fundamental.

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Para a bailarina e coreógrafa Eliane Fetzer que dirige uma escola, uma cia de jazz e outra de dança contemporânea que levam o seu nome, é preciso estar atento as necessidades e limites específicos de cada idade. O Centro de Dança Eliane Fetzer oferece o curso Baby Class, para crianças a partir de 3 anos, e para os cursos de balé clássico e jazz a idade mínima é de 6 anos. “Algumas escolas aceitam alunos mais novos nas aulas de jazz, mas eu não indico, pela formação corporal da criança nesta fase”, explica Eliane. Já para pessoas mais velhas, iniciantes na dança, é feito um trabalho de condicionamento físico, para evitar lesões, e as aulas são desenvolvidas dentro das possibilidades de cada um.

4. Fazer uma aula experimental:

Balé, sapateado, jazz, dança do ventre, hip hop, dança de salão… Escolher entre os diversos gêneros de dança para aprender pode parecer uma tarefa difícil, mas segundo Eliane Fetzer é algo facilmente sentido. Para isso, ela apenas recomenda aulas experimentais nas diferentes modalidades pretendidas. “Seja criança ou adulto, você percebe que o aluno escolheu sua modalidade assim que ele sai da sala de aula com aquele sorriso no rosto. Acontece muito da mãe trazer o filho pensando em um tipo de dança, mas ele acaba se encontrando em outro após fazer uma aula”, comenta.

A professora e bailarina Luciane Reche, sócia da escola Danza Mais, também acredita que o gosto pessoal deve ser o fator determinante na hora de escolher seu gênero de dança: “O nosso corpo é inteligente, ele sabe a dança que melhor se adapta a ele. E se você tem professores qualificados, eles saberão trabalhar dentro da idade e das limitações de cada aluno”.

5. Psicologia para lidar com autoestima, expectativas e diferentes perfis:

É claro que o professor de dança não será seu psicólogo, mas é fundamental que ele tenha a preparação adequada para lidar não apenas com seu físico, mas também com seu emocional. “A dança trabalha a autoestima das pessoas e o professor deve estar preparado para isso. Certas abordagens de ensino podem ter sucesso com algumas pessoas e não funcionarem para outras. Isto se aplica tanto para crianças quanto para adultos”, ressalta a professora de dança de salão Sandra Ruthes, sócia da escola iDance.

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A dica de Sandra na hora de escolher sua escola é conhecer o método de ensino e buscar um ambiente em que você se sinta bem: “Quando falamos em aprender a dançar, existe uma diferença muito grande entre fazer passos e adquirir consciência corporal, que é algo que cada pessoa tem o seu tempo para alcançar. Por isso é importante trabalhar a expectativa dos alunos. Mas com certeza, desde a primeira aula, você estará se exercitando e se divertindo”.

6. Avaliação médica:

point-shoes_black-rose2Embora a avaliação médica, corriqueira em academias de ginástica, não seja um pré-requisito solicitado nas escolas de dança para se ingressar nas aulas, a médica Izabela Gavioli explica que é recomendável que alunos acima de 35 anos façam uma avaliação antes de iniciarem atividades físicas. A mesma recomendação serve para pessoas abaixo desta faixa etária que apresentem algum problema físico. No caso das crianças, os pais devem estar sempre atentos, uma vez que seus corpos estão em desenvolvimento. “Recebo muitas mães de alunas de balé, por exemplo, que querem estabelecer se a idade óssea está compatível com a idade cronológica, para saber se já podem usar a sapatilha de ponta. É uma preocupação bem pertinente que, antigamente, não existia, mas que pode deixar sequelas quando negligenciada”, ressalta Izabela.


Após conferir nossas dicas e escolher sua escola, tenha em mente o conselho da professora Sonia Formighieri, proprietária da escola Gestual, em Curitiba, e pioneira no ensino da dança a dois na capital paranaense:

“Um bom professor de dança não apenas ensina movimentos, ele educa. A aula deve ser prazerosa, do contrário, alguma coisa está errada”.

Você encontra mais informações sobre as escolas citadas nesta matéria no Guia Dança em Pauta.

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Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, atuando na área desde 1997 como repórter, redatora e assessora de imprensa. Em 2010, lançou o site Dança em Pauta com a proposta de empregar seu conhecimento em comunicação para divulgar a dança. Trabalhou em publicações segmentadas em Curitiba e São Paulo. Desde 2004, desenvolve trabalho de assessoria de comunicação para profissionais e empresas atuando no planejamento e execução de estratégias de comunicação interna e externa, produção de conteúdo, publicações corporativas e assessoria de imprensa.

7 Comments

  1. Excelente texto, brilhante reflexão de como devemos estar atento as varias situações que as vezes ficamos descontentes nas aulas de dança. Sou professor de dança de salão no Rio Grande do Sul, danço desde os cinco anos de idade, fui bailarino em diversas modalidades, e no ano de 2009 fiz um curso de capacitação para professores de dança de salão. Para ampliar meus conhecimentos e saber lidar melhor com os alunos. Hoje sou graduando em Educação Física pela UFSM. Participei de varios congressos, ministro palestras, workshops, ampliei meus estudos fora do estado do Rio Grande do Sul. Costumo falar para meus alunos que o meu currículo é apenas um registro do que eu ja vivenciei, mas é na prática que eu demonstro tudo aquilo que esta escrito no papel e faço questão que saibam e que me questionem situações diversas. Pois só assim eu saberei se estou correspondendo com as expectativas dos mesmos. Mais uma vez parabéns pelo texto.

  2. Texto perfeito! Faço aula de dança há 2 anos. Comecei com o jazz, depois passei pelo contemporâneo, mas acabei me encontrando no hip hop. Após os primeiros seis meses no jazz, quase acabei desistindo. Hoje sei que não foi por não gostar do gênero e sim pela falta de preparo de minha professora, que me fazia sentir como se a dança não fosse uma atividade pra mim. Com muita insistência de uma amiga acabei dando mais uma chance com o contemporâneo. Após 2 meses vi que ainda não era a minha vibe, mas ali encontrei um professor preparado que me incentivou a experimentar outras danças. Foi aí que encontrei o hip hop e a certeza de que tinha encontrado meu lugar. Estou fazendo hip hop há pouco mais de 1 ano, mas posso afirmar que bons professores e aula experimental são o segredo para os iniciantes. #ficaadica 😉

  3. O ideal de uma aula de dança para adultos não é o mesmo para uma aula de dança para crianças, Sra Marisa Lemos. As valências físicas e neurológicas não são as mesmas, podem frequentar a mesma escola, mas não a mesma aula. Acredito que não seria salutario.

  4. Parabéns pela matéria Keyla Barros. Você é show!!! E parabéns aos profissionais participantes. Adorei! Como colunista do portal e profissional do meio a mais de 25 anos, acho importante compartilhar com os leitores minha experiência pessoal vivenciada recentemente a esse respeito. Recebo muitos pedidos de diferentes pessoas e famílias para indicar escolas e /ou professores todo dia. O que estas pessoas me pedem, é que esta experiência, principalmente quando é para crianças, não seja desenvolvida numa metodologia “antiga” ,onde o foco do trabalho é o espetáculo de final de ano, a apresentação em algum festival competitivo, etc…. Principalmente as mães me relatam que seus filhos não querem ir para uma aula onde eles são tachados de bons ou ruins pela posição em que dançam, ou que vão ficar repetindo exaustivamente a sequência coreográfica para o show até a perfeição, ou que precisam usar aqueles uniformes impecáveis onde todos parecem brinquedinhos tirados de uma linda caixa de presente, onde a aula é sofrida, onde os valores e a formação humana não são percebidos como foco principal dentro do processo…. Bem, a geração” millennium” está aí e cada vez mais com voz. Eles já sabem o que querem, e vejo muitas crianças e jovens saindo da dança e buscando algo mais atrativo, onde a jornada e o processo são mais importantes que o objetivo final. O trabalho dentro da dança deve propiciar uma visão crítica e real de mundo e se faz necessária para o futuro da nossa existência. Muitas mães me relataram: minha filha(o) não aprendeu nada este ano na dança, só ficou repetindo passos e ensaiando para a apresentação de fim de ano….Bem, é claro que não é um problema generalizado e que temos trabalhos incríveis em Curitiba com a Dança, mas fiquei pensativa e preocupada devido ao número de pessoas que me contaram que desistiram da dança este ano ou que vão pagar outras atividades para seus filhos…. Temos que ter uma visão sistêmica e lá na frente sobre isso. A dança é uma ferramenta incrível e deve ser trabalhada em seu potencial máximo. É como vejo e acredito. Abs à todos!!

  5. Muito bacana a matéria! Estou procurando uma escola para aulas de dança para mim, meu marido e minha filha de 7 anos. Depois que li o texto a gente percebe que as dicas parecem óbvias, mas realmente eram dúvidas que eu tinha. Agora vou procurar a escola de dança como pensaria em buscar um médico, sendo criteriosa com a saúde de minha família.
    Uma dúvida que tenho. Ouço muito falar em balé para adultos… Será que poderíamos os 3 entrar na aula de balé? Acho que seria legal pra nós praticar uma atividade juntos.
    beijos

    1. Oi Marisa,
      Com base no que conversei com os profissionais, o que o Lelio disse responde sua pergunta. Mas acrescento que ao se matricularem na mesma escola, você e seu marido na turma para adultos e sua filha na turma infantil, vocês estarão dividindo experiências com a mesma atividade e o gosto por ela será compartilhado pelos três. Tenho certeza que seguindo nossas dicas e se matriculando em uma escola com bons profissionais vocês vão colher muitos benefícios físicos e psicológicos! Desejo uma ótima experiência com a dança para sua família!! 😀

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