Colunas, Dança & Educação, Danças de Salão

As mil e uma faces no ensino da Dança de Salão

De uma sala na universidade ao deck de um navio, de um palco italiano em um teatro a sala de aula de uma academia, hoje, o campo de atuação de um professor e/ou bailarino de dança de salão está muito amplo e, neste artigo, procuraremos abordar algumas das qualidades e dos saberes que o profissional de nossa área terá que desenvolver, quando da escolha de seu nicho de trabalho.

Mesmo já tendo falado da abrangência da dança de salão, vou restringir os comentários à atuação de professores de dança, deixando de lado, por exemplo, os campos de um bailarino ou mesmo de um “personal dancer”.

O entretenimento ligado a dança é algo muito óbvio, porém, atualmente, grandes eventos vincularam de maneira muito explícita essa conexão. Existem hoje algumas realizações que levam a dança de salão para um ambiente em que a diversão e o turismo têm muita força, como no caso de navios de cruzeiros e hotéis resorts. Podemos citar para exemplificar isso o Cruzeiro Dançando a Bordo, realizado pela mundialmente conhecida e renomada Costa Cruzeiros e o Baila Costão, realizado no Costão do Santinho, várias vezes eleito o melhor resort de praia do Brasil. Mostrado esse quadro, temos um mercado latente, a espera de professores de dança de salão que tenham afinidade com esse tipo de proposta e que estariam preparados para o desafio de aulas com foco mais recreativo e com grandes grupos com níveis distintos de conhecimento da dança a dois.

Theo e Mônica, coordenadores dos cruzeiros temáticos focados em dança da Costa Cruzeiros no Brasil, visando atender melhor ao público de seus eventos, promovem, anualmente, antes da temporada brasileira dos navios, um treinamento com a equipe selecionada para o ano, fazendo com que aqueles que trabalharão nos cruzeiros executem as atividades muito bem adaptados às necessidades e filosofia dos mesmos.

Outro ambiente que tem mostrado abrir as portas para o professor de dança de salão é o meio acadêmico. Com o momento de grande exposição da dança a dois na mídia e o mercado bem aquecido, os cursos de educação física, dança, as pós-graduações e extensões universitárias, acabam tendo a necessidade de abordarem as práticas da dança de salão em seus conteúdos. Prova disso é a Pós-Graduação em Teoria e Movimento da Dança, com ênfase em Danças de Salão da FAMEC – Faculdade Metropolitana de Curitiba, que está em sua terceira turma.

O caminho para se tornar apto para esse nicho de mercado é o estudo acadêmico e, utilizando dessa mão de obra especializada na área, a professora Gracinha Araújo, coordenadora da pós-graduação, junto a FAMEC, já convidou vários dos professores que já obtiveram o título de especialistas em dança de salão, para ministrarem módulos na turma que está em andamento, como os professores curitibanos Luiz Dalazen, Sandra Ruthes, Katiusca Dickow e Sheila Santos.

Academias de dança e clubes são os ambientes mais tradicionais de atuação da maioria dos professores de dança de salão, porém, além das habituais aulas regulares e particulares, que se ministram nesses lugares, podemos pensar em classes com focos diferentes e que necessitariam de estudos e preparações distintas para seus professores, como por exemplo:

  • Grupos para crianças: onde a parte técnica tem que ser cuidadosamente trabalhada, sempre em conjunto com as questões globais de formação das crianças;
  • Grupos de terceira idade: reconhecidamente um grupo que, hoje, é um dos maiores consumidores de serviços ligados à qualidade de vida e bem-estar, ou seja, o serviço teria que abordar essas necessidades;
  • Grupos para portadores de necessidades especiais: onde a responsabilidade em lidar com as questões da inclusão e adaptabilidade são fundamentais;
  • Grupos para bailarinos e profissionais: onde o estudo de técnicas mais difíceis e de maior efeito, aliadas aos estudos de pegadas, poderiam estar listados nos conteúdos.

A intenção aqui não é aprofundar em cada área e sim um arrolamento destas possibilidades. Essa delimitação e até superficialidade na abordagem dos campos de atuação de um professor de dança de salão tem relação com o espaço que temos para discutir sobre ele aqui, porém, o importante é que, independente da área escolhida, se faz necessário estudo e dedicação por parte do profissional e, se esta escolha será por diversos caminhos, nos abre a possibilidade de pensarmos na questão do docente especialista ou generalista, assunto que abordaremos em outro artigo, em breve. E você, tem algum outro nicho de atuação para o professor de dança de salão para nos contar?

Previous ArticleNext Article
Dançarino, coreógrafo e professor de dança de salão, coordena o curso de capacitação para professores de dança de salão, certificado pela Faculdade da Serra Gaúcha (FSG/RS) e pela Faculdade SPEI, de Curitiba.

1 Comment

  1. Mais uma vez tenho que parabenizar esse artigo do Cristovão, extremamente pertinente, para mostrar aos “profissionais” das Danças de Salão, que o mundo deles não se restringe apenas aos workshops de finais de semana, ou aulas particulares com renomados profissionais, aos cursos de finais de semana e principalmente ao aprendizado dos “passinhos”, para posteriormente repassar aos alunos (Youtube tai). O mundo academico pode não ser ,e não é “salvação da lavoura”, mas é mais uma bela opção para quem tem condições de vergar para esse segmento, o que nas Danças de Salão infelizmente poucos tem o estudo mínimo necessário para tal (basta vermos o curso que a Faculdade Estácio de Sá, no RJ, proporcionava aos interessados, mas que por falta de quórum (estudo), o mesmo foi fechado). Entendo que é tudo uma questão de opções de cada interessado, tendo ou não condições de efetuar esses cursos de origem pedagógica.
    Sintetizando o que o Cristovão quis explanar , cada um dos “profissionais” que passou por todos esses segmentos explicados na matéria, irá achar o seu devido rumo.
    Sendo meramente político, “cada macaco no seu galho”, de acordo com as suas condições, e acima de tudo procurando um bem estar geral e comum às Danças de Salão e não apenas para o seu próprio bem estar.
    Quem agir assim poderá criticar quem quer que seja. Chega de ficar olhando para o próprio umbigo e dizer “que vantagem levo eu”, é a famosa “Lei de Gerson”. Critique, mas faça, acima de tudo algo em benefício das Danças de Salão em comum e não apenas em benefício próprio, e quando falar algo de alguém realmente saiba o que está falando e não apenas deduza ou tire as suas próprias conclusões.

    abraxxxxxxxxxxxxx.
    Airton

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *