Dança & Educação, Danças de Salão

Ao Mestre, com Carinho

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Independente da área de conhecimento humano, a figura do professor é fundamental para a manutenção e disseminação do saber. Não é incomum vermos nas sociedades e civilizações mais evoluídas uma grande valorização dos responsáveis pela docência. É natural enxergarmos na figura do professor um exemplo, seja no seu comportamento, nas suas atitudes, no seu domínio didático e metodológico durante as aulas, ou ainda pela sua performance técnica e artística nos salões de baile ou palcos, quando estes são professores de dança de salão.

dance-learn_opacity2Nas artes de maneira geral, e falando especificamente das danças a dois, o aprofundamento dos estudos e o desenvolvimento técnico foi enorme nos últimos 50 anos. Hoje em dia, a informação é muito mais disponível e pode ser acessada de diferentes maneiras por aqueles que a buscam. O trânsito das pessoas está extremamente facilitado e viajar de norte a sul do país, ou cruzar nossas fronteiras, é mais rápido e barato do que décadas atrás. Com isso, “beber direto da fonte” e estudar com um mestre referência em determinado assunto é bem mais viável atualmente.

Ainda, no universo das danças em par, muitas vezes mede-se a qualidade do professor por sua dança, e ela nem sempre será o único e o melhor indicador para avaliar o seu desempenho como mediador do saber.

Neste cenário, quando comparada a realidade de algumas décadas atrás, a necessidade de conhecimento e performance de um professor tende a ser maior, e a comunidade tem sido mais exigente para denominar novos “mestres”.

Analisando este contexto, poderíamos facilmente esquecer e negar os créditos àqueles que foram responsáveis por “preparar o terreno” para que as novas gerações de professores pudessem atuar no atual mercado, maior e mais consolidado, com a dança de salão mais difundida e praticada.

No mundo do tango, os professores de grande importância no desenvolvimento deste patrimônio argentino são considerados “Maestros”, ganhando toda atenção e reconhecimento que seu legado merece. Homenagens e citações de agradecimento não são incomuns em bailes e eventos. Todos os maiores shows de Tango de Buenos Aires têm em seu elenco um casal da velha guarda. Este tem destaque no show e ao término das apresentações, são dos que mais recebem o carinho da plateia, pois a mensagem do valor daqueles que ali representam a tradição do tango fica clara, até para o turista que, por muitas vezes, desconhece totalmente a história da dança a dois portenha.

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Para minha felicidade, um evento que aconteceu recentemente no Rio de Janeiro, o Gafieira Brasil, com foco no Samba dançado a dois, tratou os “Bambas” com toda honraria e pompa que lhes cabem. Os professores, coreógrafos e idealizadores do evento, Patrick de Carvalho, Rodrigo Marques e Vinícius Villiger, importantes representantes da nova geração do Samba, escolheram profissionais notoriamente responsáveis pela construção do frondoso cenário que usufruímos hoje, quando se trata de Samba de Gafieira. Todas as aulas do evento e todos os jurados das competições foram pessoas fortemente ligadas ao desenvolvimento do samba dançado a dois.

Ícones como Carlinhos de Jesus, Verinha e Yolanda Reis, João Carlos Ramos, Jaime Arôxa, Valdeci de Souza, Carlos Bolacha, Raquel Mesquita, entre outros, foram algumas das figuram que abrilhantaram esse evento. Foi um presente para todos os participantes poder conviver um pouco com essas pessoas.

Foi maravilhoso ver um público, formado por pessoas de todo o Brasil, que nunca tiveram oportunidade de ter aulas com esses mestres, tendo contato com eles e entendendo a importância dos mesmos para que o samba de gafieira tenha o prestígio e a paixão de tantos nos dias atuais. Todos, sem exceção, foram ovacionados e reverenciados em suas aparições durante o evento, foi emocionante!

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Não tem a menor importância se esses “Bambas do Samba” não são tão ágeis e rápidos como os meninos de hoje em dia, não é necessário que nossos mestres façam pegadas e acrobacias para mostrarem sua excelência na dança. A elegância, musicalidade, domínio dos seus corpos e principalmente suas “horas de voo” dentro do universo de uma Gafieira, os fazem mágicos, atraindo a atenção e aplausos daqueles apaixonados pela arte de dançar a dois.

Seria muito justo, que todos os nossos gêneros de dança de salão, gerassem situações semelhantes as que retratamos aqui, seria fundamental que os responsáveis pelo desenvolvimento do forró, soltinho, lambada/zouk, gêneros de origem ou grande desenvolvimento nacional, expusessem seus ícones, mostrando aos mais novos no ramo, sua origem e história. Afinal de contas, lembrando o que diz Jorge Aragão, na letra do samba ‘Moleque Atrevido’, precisamos dar uma oportunidade para nossos mestres falarem: “Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou”.

Quem quiser conferir a letra completa, vale a pena!

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Dançarino, coreógrafo e professor de dança de salão, coordena o curso de capacitação para professores de dança de salão, certificado pela Faculdade da Serra Gaúcha (FSG/RS) e pela Faculdade SPEI, de Curitiba.

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